A indústria dos games tem passado por diversas transformações desde sua consolidação, nos anos 80. Naquela época, surgiram as primeiras propostas de videogames portáteis, criando um mercado segmentado entre consoles de mesa e aqueles que podiam ser levados para qualquer lugar. A Nintendo se destacou como pioneira na popularização dos portáteis com o Game Boy e, posteriormente, com a linha DS. A Sony também fez sua parte, trazendo a marca PlayStation para as mãos dos jogadores com o PS Vita, que prometia elevar a experiência portátil a um novo nível.
Entretanto, diversos fatores contribuíram para a queda do sucessor do PSP, que deixou o mercado apenas dois anos após seu lançamento. Agora, mais de 15 anos depois, a Sony anunciou que fechará as lojas digitais do PS3 e PS Vita, com o encerramento do suporte ao portátil previsto para julho de 2027. Esse movimento simboliza o fim dos consoles portáteis como os conhecíamos até então.
As lojas digitais foram fundamentais para a longevidade dos consoles portáteis. Assim como o XBOX 360 e o PlayStation 3, os portáteis da década de 2000 se beneficiaram imensamente da conexão com a internet. O Nintendo DS, por exemplo, inovou ao oferecer recursos como DSiWare e Virtual Console, proporcionando uma ampla gama de jogos e reduzindo a dependência de cartuchos. Essa evolução ajudou a manter o interesse pelo aparelho de duas telas.
O PS Vita, por sua vez, foi o último grande console dedicado à experiência portátil. Desde então, o mercado passou a ser dominado por dispositivos que misturam funcionalidades, como os PCs de bolso e a linha Switch da Nintendo, que combina o uso em casa e em movimento. O PS Vita chegou ao mercado em 2011, em um momento em que os smartphones começaram a se popularizar, atraindo jogadores com jogos mobile que, muitas vezes, eram gratuitos.
Além da concorrência com os jogos mobile, a falta de justificativa para o desenvolvimento de games para portáteis tornou-se um desafio. A Nintendo, com uma base de fãs sólida e franquias consagradas, conseguiu se manter relevante, ao contrário da Sony, que enfrentou dificuldades com o PS Vita. Em 2021, a Sony tentou encerrar o suporte ao dispositivo, mas voltou atrás devido à resistência da comunidade.
Com a decisão atual, o fim do PS Vita representa, em essência, o fechamento do capítulo dos consoles portáteis tradicionais. Embora existam opções modernas de consoles de bolso, eles diferem significativamente do que se tinha nas décadas passadas. Para os fãs, ainda há esperança de um retorno da Sony ao mercado de portáteis, com rumores sobre um possível dispositivo que funcionaria como uma versão portátil do PlayStation 6. O CEO da Sony Interactive Entertainment, Hideaki Nishino, indicou interesse em levar o PlayStation para fora da sala de estar, o que poderá abrir novas possibilidades para os jogadores no futuro.


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