Com a realização de transplantes de rim e fígado, a unidade hospitalar recolocou Sergipe na rota dos transplantes
O Hospital de Cirurgia (HC) – referência em média e alta complexidade para a Rede Estadual de Saúde – completa nesta segunda-feira, 6, seis meses do início da realização de transplantes. Desde então, a instituição filantrópica hospitalar contabiliza 27 transplantes feitos, sendo 24 de rim e três de fígado, ampliando o acesso dos sergipanos a procedimentos que antes exigiam deslocamentos para outros estados do Brasil.
No dia 6 de janeiro de 2026, o Cirurgia – que possui contrato com o Governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Saúde (SES) – começou a realizar os transplantes renais, devolvendo à população sergipana um serviço que estava interrompido na Rede Estadual de Saúde havia 13 anos. Poucos meses depois, no dia 9 de maio, o hospital alcançou outro marco histórico: fez o primeiro transplante hepático de Sergipe.
Em apenas seis meses, o número de transplantes renais realizados pelo Cirurgia já supera o total de procedimentos feitos em Sergipe entre 2018 e 2025, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT). Além da cirurgia em si de transplante, o hospital oferece uma linha de cuidado multiprofissional – médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, farmacêuticos, fisioterapeutas, entre outros profissionais – que acompanha o paciente desde a avaliação para inclusão na lista de espera até o pós-transplante. Somente na parte Renal, até o momento, o HC já avaliou cerca de 300 pacientes.
Marco para Sergipe
A implantação do Serviço de Transplantes no Cirurgia é o resultado de um processo de estruturação iniciado após a habilitação do Hospital de Cirurgia pelo Ministério da Saúde. Para a interventora judicial do HC, a enfermeira Márcia Guimarães, os primeiros seis meses demonstram que o investimento realizado pela instituição já produz reflexos concretos para os sergipanos e confirmam a missão do hospital na assistência de alta complexidade.
“Em apenas seis meses, o Cirurgia recolocou Sergipe em um novo cenário na área de transplantes. Por meio do nosso hospital, a Rede Estadual voltou a realizar transplantes renais, e passamos a oferecer, pela primeira vez, o transplante de fígado no estado. Isso é consequência de um trabalho que envolveu planejamento, investimentos em estrutura e a dedicação de equipes de diferentes áreas. Mais do que números, estamos falando de pessoas que hoje podem fazer um tratamento de alta complexidade perto de suas famílias, com acompanhamento especializado em todas as etapas”, destaca Márcia Guimarães.
Nova vida
O agricultor Josenaldo Oliveira, de 25 anos, morador de Nossa Senhora da Glória, foi o primeiro paciente transplantado pelo HC. Antes da cirurgia, ele enfrentava uma rotina desgastante de hemodiálise três vezes por semana, precisando percorrer cerca de quatro horas de viagem entre ida e volta até Itabaiana. Hoje, seis meses depois do transplante, a realidade é outra. “Eu só tenho a agradecer a Deus, à família do doador e Cirurgia. Hoje, eu faço tudo, trabalho, mexo nos meus bichos, tudo mesmo. Nasci outra vez, praticamente”, declara.
O agricultor também enaltece o acolhimento recebido durante todo o tratamento. Ele, rotineiramente, comparece ao Ambulatório do HC para consultas com a equipe de transplante. “O Hospital Cirurgia foi um pai para mim, me acolheu. Desde o começo até agora, o atendimento é do mesmo jeito. Foram uns anjos na minha vida, porque retomou a minha vida”, diz.
Serviço em crescimento
Para a chefe do Serviço de Transplante Renal do Hospital de Cirurgia, Dra. Simone Oliveira, os números alcançados em pouco tempo evidenciam a rápida evolução do Serviço de Transplante do HC. “Fazendo uma retrospectiva histórica do transplante renal, o Registro Brasileiro de Transplantes aponta que, de 2018 a 2025, Sergipe realizou 10 transplantes, sendo quatro deles no ano passado. Portanto, a realização de 24 transplantes renais nos primeiros seis meses representa um marco muito importante para consolidação do programa de transplante renal no Cirurgia. Esse resultado demonstra que conseguimos estruturar um serviço seguro, eficiente e com uma equipe multiprofissional capacitada para oferecer esse tratamento à população sergipana”, destaca.
Dra. Simone Oliveira ressalta que o impacto vai além das cirurgias realizadas. “Atualmente, contamos com cerca de 25 pacientes em lista e já fizemos a avaliação de quase 300 pacientes no total. Esse número evidencia grande demanda pelo serviço de transplante renal e reforça a importância do Cirurgia como uma referência nessa área”, afirma.
Transplante de fígado, feito inédito
Na área hepática, o chefe do Serviço de Transplante Hepático, Dr. Leandro Barros, destaca que a implantação do procedimento representa uma transformação para a saúde sergipana. “Esse feito muda a medicina de Sergipe, pois agora os pacientes do estado não precisam mais sair para fazer o transplante desse órgão. Podem ficar aqui e ser acolhidos da melhor forma possível para realizar o tratamento”, avalia.
O Dr. Leandro Barros reforça que o início do serviço só foi possível graças aos investimentos realizados pelo Cirurgia. “O hospital conseguiu fazer um centro cirúrgico novo, com materiais de primeira qualidade, fez um ambulatório para atender esses pacientes de transplante de rim e fígado. O paciente é abraçado aqui no Cirurgia para ter seu tratamento adequado”, diz.
O especialista chama atenção para o fato de o transplante hepático referendar ainda mais a assistência qualificada prestada pelo HC. “Quando implementado, o transplante de fígado carimba a instituição como uma instituição de alta complexidade. É uma cirurgia muito complexa, que requer uma equipe assistencial e médica muito preparada, uma gestão que esteja acompanhando o processo e a garantia da qualidade. Então, uma vez que transplanta fígado, podemos garantir que aquele lugar tem um atendimento adequado para o paciente”, afirma.
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