O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos, onde participará, na próxima terça-feira (7), de uma audiência pública sobre a proposta de uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros. A audiência ocorrerá no segundo e último dia de debates organizados pelo USTR, Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, que conduz uma investigação comercial contra o Brasil.
A manifestação de Flávio está agendada para as 10h no horário local (11h em Brasília), poucos dias antes da decisão final do governo americano, que deve ser anunciada até 15 de julho. Durante sua participação, o senador defenderá que a sobretaxa não seja aplicada e pedirá que Brasil e Estados Unidos busquem uma solução por meio do diálogo.
“A medida traria prejuízos para exportadores e consumidores brasileiros e, ao mesmo tempo, acabaria fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou Flávio.
A participação do senador ocorre após o envio de um documento de 86 páginas às autoridades dos EUA, no qual solicita a suspensão do tarifaço e argumenta que a tarifa produziria o efeito oposto ao desejado por Washington, conferindo maior respaldo político ao governo Lula.
A audiência faz parte da investigação instaurada com base na Seção 301 da legislação comercial americana, que analisa se políticas adotadas pelo Brasil em áreas como comércio digital, propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol prejudicam os interesses comerciais dos Estados Unidos.
Antes de definir eventuais medidas contra o Brasil, o governo americano abriu um período para recebimento de manifestações escritas e realização de audiências públicas, que envolvem contribuições de empresas, especialistas e organizações de ambos os países. Além de Flávio Bolsonaro, também participará da audiência Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC, que falará em nome de importantes entidades do setor industrial brasileiro.
Na proposta encaminhada ao USTR, Flávio sugeriu que os EUA suspendam temporariamente a tarifa adicional e instituam um canal de negociações bilaterais, com um cronograma definido para discutir os temas da investigação. Ele destacou que a suspensão da sobretaxa não encerraria a investigação, que seguiria enquanto Brasil e EUA buscam uma solução negociada.
O governo brasileiro também continua buscando convergência com os EUA para evitar a aplicação da tarifa sem ceder em pontos importantes. Em resposta ao senador, o Palácio do Planalto defende que a reversão do tarifaço deve ocorrer independentemente do resultado das eleições em outubro.
O governo acredita que a defesa do adiamento da aplicação das taxas está atrelada ao resultado eleitoral, enquanto busca demonstrar que as condições para o setor americano continuarão favoráveis sem a tarifa de 25%.
Até o dia 15 de julho, o ministro Márcio Elias Rosa, do MDIC, deve ter mais duas reuniões com o Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, para discutir as investigações comerciais contra o Brasil. Na última quinta-feira (2), Elias se reuniu com Greer e reafirmou que não há possibilidade de negociações sobre o Pix, um dos principais alvos da investigação norte-americana.
O ministro apresentará um plano com medidas que o Brasil pode adotar, sem incluir o Pix, para atender às demandas dos EUA na Seção 301, abordando temas como tarifas preferenciais desleais, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

