O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participa, hoje, de uma audiência pública nos Estados Unidos que discutirá a possibilidade de imposição de uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros. O parlamentar, que é pré-candidato à Presidência da República, fará um discurso de cinco minutos no último dia de debates organizados pelo USTR, sigla em inglês para Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, que conduz uma investigação comercial aberta contra o Brasil.
Flávio Bolsonaro deve defender que a sobretaxa não seja implementada e solicitará que Brasil e Estados Unidos busquem uma solução por meio do diálogo. Ele argumenta que a medida traria prejuízos tanto para exportadores quanto para consumidores brasileiros e, além disso, poderia fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A participação do senador na audiência ocorre após o envio de um documento de 86 páginas às autoridades dos Estados Unidos, no qual ele solicita a suspensão do chamado tarifaço e pede que o Pix não seja incluído na disputa comercial entre os dois países.
Segundo Flávio, os Estados Unidos não têm interesse em tomar medidas econômicas significativas contra democracias estrangeiras nas semanas que antecedem uma eleição. O senador argumenta que as tarifas poderiam ser vistas como uma tentativa de influenciar o resultado eleitoral, aumentando o sentimento negativo em relação aos EUA.
“Adiar a implementação até depois da votação impede essa caracterização. Esse interesse é indiferente a qual candidato vença, incluindo a reeleição do atual presidente; ele diz respeito apenas ao momento e à percepção da ação dos EUA”, afirma o senador.
Além disso, o governo brasileiro decidiu, de última hora, enviar observadores da Embaixada do Brasil em Washington à audiência pública no USTR. Os representantes da embaixada irão acompanhar a sessão na condição de observadores, sem participação ativa ou interferência.
A presença de diplomatas tem como objetivo permitir que o governo conheça os argumentos apresentados durante o encontro, mas sem alterar a estratégia de negociação com as autoridades americanas. Nesta semana, está prevista uma reunião negociadora entre o USTR e o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio).
Na semana passada, o ministro Márcio Elias Rosa entregou às autoridades americanas uma proposta para solucionar os seis pontos prioritários nas negociações entre os dois países. A avaliação no governo é de que as conversas com os Estados Unidos vêm sendo conduzidas há cerca de um ano, sem avanços, em parte devido a motivações políticas da Casa Branca.
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