GoPro vai se fundir com a Starman Optical por US$285 milhões, que pagará US$1,14 por ação e quitará dívida de ~US$92 milhões. A união mira setores como defesa, governamental, aeroespacial, robótica e infraestrutura de IA.
A GoPro anunciou um acordo de fusão com a Starman Optical, empresa norte-americana especializada em óptica e fotônica, como estratégia para enfrentar sua crise financeira e ampliar atuação para setores como defesa, governo, aeroespacial, robótica e infraestrutura de inteligência artificial.
O acordo prevê um pagamento total de US$ 285 milhões aos acionistas da GoPro, equivalente a US$ 1,14 por ação, além da manutenção de aproximadamente 10% das ações da empresa combinada. A dívida da GoPro de cerca de US$ 92 milhões será quitada integralmente quando a transação for concluída.
A Starman Optical fabrica transceptores ópticos usados em data centers e em infraestrutura de IA. Com a fusão, esses produtos devem ser incorporados ao portfólio da GoPro, abrindo caminho para que a companhia atue em um mercado distinto daquele que a tornou conhecida pelas câmeras de ação.
A empresa afirmou que pretende aproveitar suas tecnologias de óptica, imagem e seu portfólio de propriedade intelectual em aplicações de defesa, governo, aeroespacial e robótica. A estratégia acompanha uma demanda crescente por componentes fabricados nos Estados Unidos para setores considerados estratégicos.
Segundo Charles Tebele, CEO da Starman Holding, a combinação das tecnologias ópticas e das mais de 2.500 patentes da GoPro nos EUA com os transceptores da Starman pode ajudar a trazer para o país a fabricação de componentes considerados críticos para IA e segurança nacional.
A mudança de estratégia ocorre em meio a um momento financeiro difícil para a fabricante de câmeras. No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou queda de 26% na receita, enquanto as vendas de câmeras recuaram 28%. A concorrência de empresas como a Insta360 também reduziu a participação de mercado que a GoPro manteve por anos.
Antes do anúncio da fusão, a empresa já havia planejado cortar 23% de sua força de trabalho global até o fim do ano. O próprio fundador e CEO, Nicholas Woodman, chegou a conceder um empréstimo pessoal de US$ 20 milhões à GoPro em meio às dificuldades financeiras.
Apesar da nova direção, a GoPro informou que não pretende abandonar o mercado de câmeras de consumo e continuará oferecendo suporte aos produtos existentes e à sua plataforma de assinatura e armazenamento em nuvem. A ideia é diversificar as fontes de receita enquanto utiliza sua propriedade intelectual e experiência em imagem para buscar novas oportunidades comerciais.
A fusão ainda depende da aprovação dos acionistas da GoPro e de autoridades regulatórias dos Estados Unidos. Se todas as condições forem cumpridas, a expectativa é que a operação seja concluída até o fim de 2026. Após o anúncio, as ações da GoPro subiram de menos de US$ 1 para cerca de US$ 1,40, sinalizando reação inicial positiva do mercado.
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