A guerra contra o Irã não impactou o “tempo chinês” em relação aos objetivos estratégicos de Pequim. No entanto, a situação permitiu à China se posicionar de maneira mais assertiva como um poder desafiador em relação aos Estados Unidos. Essa análise foi feita pelo professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Eduardo Migon, durante sua participação no programa WW Especial: O mundo após a guerra contra o Irã, exibido no último domingo.
Migon destacou que o Irã se tornou um aliado estratégico da China, funcionando como um proxy que pode desgastar os interesses dos Estados Unidos na região. “Se, em um conflito de 100 dias, 50% do arsenal americano é diluído, ele (Xi Jinping, presidente da China) tem mais liberdade de ação para, em uma reunião na China, transmitir recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”, explicou o especialista.
O professor ainda ressaltou que a dinâmica de poder na região pode ser alterada, visto que a China busca expandir sua influência global e a guerra no Irã oferece um cenário propício para isso. A avaliação de Migon sugere que, com a diminuição da capacidade militar dos EUA, outras potências, como a China, podem se sentir mais à vontade para agir em suas agendas geopolíticas.
O programa WW Especial, apresentado por William Waack, é transmitido aos domingos, às 22h, e discute temas relevantes da política internacional, trazendo análises de especialistas e convidados. O evento atual no Oriente Médio e suas repercussões no equilíbrio de poder global são tema constante de debate na mídia e entre analistas, refletindo a complexidade das relações internacionais contemporâneas.
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