A segunda temporada da série 'Fallout', do Amazon Prime Video, migrou de Nova York para a Costa Oeste dos EUA. O motivo: US$ 25 milhões em créditos fiscais oferecidos pela Califórnia.
Durante uma visita a um grande estúdio que abriga um dos cenários da série “Fallout”, do Amazon Prime Video, o produtor executivo Jonathan Nolan ressaltou a importância dos incentivos fiscais na decisão de transferir a produção para a Califórnia. A primeira temporada da série, que é uma adaptação de um conhecido videogame ambientado em um mundo devastado por uma guerra nuclear, foi filmada em Nova York. Contudo, a segunda temporada foi atraída para a Costa Oeste graças a um aporte de US$ 25 milhões (cerca de R$ 130 milhões) em incentivos fiscais.
“Se o crédito fiscal não existisse, nem consideraríamos a possibilidade e não poderíamos estar aqui”, afirmou Nolan, enquanto se sentava em uma cadeira dobrável no cenário de um “Vault”, um abrigo subterrâneo antinuclear com uma estética retrofuturista que caracteriza a série.
Nolan teve um papel fundamental na campanha que buscou a aprovação de US$ 750 milhões (cerca de R$ 3,9 bilhões) em incentivos fiscais pela Califórnia, destinados a atrair mais produções cinematográficas e televisivas para o estado. Ele chegou a convidar parlamentares estaduais para conhecer os estúdios no ano anterior, com o intuito de demonstrar os benefícios que esses incentivos poderiam trazer para atores e profissionais da indústria.
Graças a US$ 42 milhões (aproximadamente R$ 220 milhões) em créditos fiscais sobre um orçamento de US$ 166,3 milhões (cerca de R$ 860 milhões), “Fallout” permaneceu na Califórnia para sua terceira temporada, permitindo a contratação de quase 600 membros da equipe técnica e 30 atores, conforme informado pela Comissão de Cinema da Califórnia.
Nolan comentou que ele e outros profissionais da indústria se acostumaram a viajar para filmar em cidades como Londres, Budapeste ou Sydney, sem considerar o impacto negativo que isso poderia ter sobre Hollywood. “As pessoas riam da ideia de que Hollywood deixaria de ser Hollywood algum dia — mas, nos últimos cinco anos, isso realmente aconteceu”, disse ele.
A indústria do entretenimento tem enfrentado uma queda no número de empregos desde o pico de 2022, reduzindo as oportunidades para atores, roteiristas e diversos profissionais, como carpinteiros, figurinistas e operadores de câmera. A Califórnia foi particularmente afetada, com a perda de 17.234 empregos entre 2019 e 2023, segundo o Instituto Milken. O estudo aponta que fatores como a queda na receita publicitária da televisão e a estagnação do crescimento do streaming têm levado os estúdios a buscar locais mais baratos para a produção de filmes e séries.
A taxa de ocupação dos estúdios de Hollywood caiu para 62% no primeiro semestre de 2025, em comparação com os níveis próximos da ocupação total registrados em 2016, conforme dados da FilmLA, uma organização sem fins lucrativos que coordena filmagens na região metropolitana de Los Angeles.
“Isso ameaça esvaziar e destruir uma instituição cultural centenária que talvez seja uma das partes mais importantes da cultura americana e da nossa capacidade de difundir essa cultura pelo mundo”, destacou Nolan. “Por isso, acredito que os incentivos fiscais foram essenciais para nos trazer de volta.”
O ator Walton Goggins, que interpreta os personagens Cooper Howard e o caçador de recompensas conhecido como The Ghoul, expressou sua gratidão pela oportunidade de trabalhar em Los Angeles. “Este trabalho permeia todos os aspectos desta cidade. Estar de volta aqui filmando uma série que emprega tantas pessoas — artesãos que estão entre os melhores do mundo no que fazem — me deixa maravilhado”, disse Goggins, acrescentando: “Só espero que esse incentivo fiscal seja ampliado para que mais produções possam voltar para cá.”
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

