Pular para o conteúdo
18 de maio de 2026

urgente

Publicado em 17 de maio de 2026

Iniciativas buscam facilitar acesso e permanência de mães na ciência

Compartilhe:

1018324-09052016_dsc2758-

Publicidade

Programas, editais e pesquisas têm surgido para reduzir os obstáculos enfrentados por mães que atuam na ciência no Brasil. Apesar de, há mais de 20 anos, o país formar mais doutoras do que doutores, as mulheres ainda estão em minoria entre professores de graduação e pós-graduação e recebem apenas um terço das bolsas de produtividade.

O fenômeno conhecido como “efeito tesoura” — a perda progressiva de mulheres ao longo da carreira acadêmica — tem impacto ainda maior sobre quem é mãe, segundo a pesquisadora Fernanda Staniscuaski, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Staniscuaski afirma que a pausa na produção causada pela maternidade reduz acesso a financiamentos e orientações, criando um ciclo que dificulta o retorno à trajetória anterior.

Movimento e levantamento

Em 2016, Fernanda fundou o movimento Parents in Science, junto com outras sete pessoas, para debater parentalidade entre pesquisadores. A iniciativa, que completa dez anos em 2026, conta com mais de 90 cientistas associados, majoritariamente mulheres, e busca também mapear dados sobre pesquisadoras e professores que têm filhos, informação ainda ausente em estatísticas oficiais.

Um levantamento do grupo, com dados de cerca de mil docentes de programas de pós-graduação, revelou diferenças marcantes entre pais e mães: entre os pais, 43,7% deixaram o programa por iniciativa própria e 37,5% foram descredenciados por perda de produtividade. Entre as mães, 24,6% saíram a pedido e 66,1% foram descredenciadas por não atingirem a produção mínima exigida.

O estudo identificou também maior dificuldade de reinserção das mães após o desligamento: considerando apenas quem saiu por perda de produtividade, 38% das mães não retornaram, contra 25% dos pais. Entre os que saíram a pedido, 25% das mães não voltaram, frente a 7,1% dos pais. Fernanda ressalta ainda interseccionalidades: mulheres pretas, pardas e indígenas e mães de crianças com deficiência estão ainda mais sub-representadas.

Casos e políticas institucionais

A assistente social Cristiane Derne, hoje mestranda na PUC/Rio, relatou dificuldades desde a graduação na UFRJ, conciliando trabalho, deslocamento e cuidados com a filha. A UFRJ oferece auxílio-educação de R$ 385 mensais até os seis anos da criança, mas collectivos de mães da universidade foram decisivos no apoio prático e emocional. Cristiane transformou a experiência em objeto de pesquisa em seu trabalho de conclusão e agora investiga esses coletivos na pós-graduação.

O Núcleo Virtual de Pesquisa em Gênero e Maternidade publicou o Atlas da Permanência Materna, que compilou políticas de permanência nas universidades federais e constatou que 63 das 69 instituições oferecem assistência financeira com valor médio de cerca de R$ 370 por mês. O Atlas também apontou queda significativa na oferta de benefícios na pós-graduação: apenas 13 universidades estendem auxílio a mestrandas e doutorandas, e só oito possuem cuidotecas. Em março deste ano, o Ministério da Educação lançou um edital de R$ 20 milhões para implantação de cuidotecas em outras unidades.

Editais e medidas compensatórias

No Rio de Janeiro, a Faperj lançou em 2024 um edital específico para mães, em parceria com o Parents in Science e o Instituto Serrapilheira, que já apoiou a produção de 134 mães cientistas. A previsão é de uma nova edição do edital em março do ano que vem, e iniciativas semelhantes estão em preparação em Pernambuco. A Faperj também ampliou o período de avaliação curricular: candidatas que se tornaram mães nos cinco anos anteriores terão seus currículos avaliados em uma janela de sete anos.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) lançou o programa Aurora, cujo primeiro edital foi publicado em 12 de maio de 2026. Serão concedidas até 300 bolsas para que professoras de pós-graduação gestantes ou mães possam integrar um pesquisador de pós-doutorado às suas equipes, com o objetivo de manter a continuidade das pesquisas e orientações durante licenças maternidade.

Legislação

Também houve avanços legislativos: em julho de 2024 foi sancionada uma lei que prorroga por seis meses o prazo para conclusão de cursos de graduação e pós-graduação em casos de gestação de risco, parto, adoção ou guarda judicial, com extensão do período para bolsistas quando aplicável. Em abril de 2025 entrou em vigor a lei que proíbe discriminação baseada na maternidade em processos de seleção ou renovação de bolsas, vedando perguntas sobre o tema em entrevistas e ampliando em dois anos o período de avaliação de produtividade em casos de licença-maternidade.

As iniciativas descritas reúnem ações institucionais, leis e movimentos que buscam reduzir a evasão e criar condições de retorno à carreira acadêmica para mães, além de apontar a necessidade de políticas específicas para promover inclusão e diversidade no ambiente científico.

 

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Receba as notícias no seu WhatsApp

Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe

Entrar no canal →

Ultimas notícias

Governo de Sergipe abre chamamento para concessão da praça de alimentação do Arraiá d...

17 de maio de 2026

Diarreia persistente e dor abdominal alertam para doenças inflamatórias intestinais

17 de maio de 2026

Mônica Salgado fala sobre o Talk Com Môni 6, chamado de "Fashion Week" dos influencia...

17 de maio de 2026

Nicolas Prattes compartilha reflexão nas redes após completar maratona e celebra a vi...

17 de maio de 2026

Refinarias da Petrobras chegam a operar acima de 100% da capacidade, diz diretoria

17 de maio de 2026

Publicidade