O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou aumento de 0,09% em outubro, percentual mais baixo para o mês em 27 anos. Em setembro, a variação havia sido de 0,48%, enquanto em outubro de 2024 o índice ficara em 0,56%.
Divulgado nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado levou a inflação acumulada em 12 meses a 4,68%, abaixo dos 5,17% observados até setembro. Apesar da queda, o indicador permanece acima do limite superior da meta do governo para 2025, fixada em 3% com margem de 1,5 ponto percentual (máximo de 4,5%).
Energia elétrica alivia o índice
A principal contribuição para a desaceleração veio da energia elétrica residencial, que caiu 2,39% e retirou 0,10 ponto percentual do IPCA de outubro. A redução se deveu à passagem da bandeira tarifária vermelha patamar 2 para o patamar 1, que diminuiu a cobrança extra de R$ 7,87 para R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.
Segundo o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, sem esse alívio a inflação do mês teria sido de 0,20%.
Alimentação praticamente estável
Após quatro meses de queda, o grupo alimentação e bebidas ficou praticamente estável (0,01%), menor variação para um mês de outubro desde 2017. Entre os destaques, o arroz recuou 2,49% e o leite longa vida, 1,88%. Já a batata-inglesa avançou 8,56% e o óleo de soja, 4,64%.
Demais grupos
Veja o comportamento dos nove grupos pesquisados e o impacto (em pontos percentuais) de cada um sobre o IPCA:
- Alimentação e bebidas: 0,01% (0,00 p.p.)
- Habitação: -0,30% (-0,05 p.p.)
- Artigos de residência: -0,34% (-0,01 p.p.)
- Vestuário: 0,51% (0,02 p.p.)
- Transportes: 0,11% (0,02 p.p.)
- Saúde e cuidados pessoais: 0,41% (0,06 p.p.)
- Despesas pessoais: 0,45% (0,05 p.p.)
- Educação: 0,06% (0,00 p.p.)
- Comunicação: -0,16% (0,00 p.p.)
Dentre os 377 subitens pesquisados, as maiores altas foram registradas no aluguel residencial (0,93%) e nas passagens aéreas (4,48%), cada um adicionando 0,03 ponto percentual ao índice geral.
Meta estourada pelo 13º mês
O IPCA em 12 meses permanece acima do teto da meta pelo 13º período consecutivo, cenário que tem levado o Banco Central a manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006. Juros elevados encarecem o crédito, contêm o consumo e ajudam a segurar a inflação.
Na abertura por segmentos, os serviços subiram 0,41% em outubro e acumulam 6,20% em 12 meses, enquanto os preços monitorados recuaram 0,16% no mês e avançam 4,20% no mesmo intervalo.
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (10) projeta IPCA de 4,55% e Selic de 15% ao fim de 2025.
Metodologia
O IPCA acompanha os gastos de famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos em dez regiões metropolitanas, nas capitais Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju, totalizando 377 itens de consumo.
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