Teerã também anunciou interrupção de operações, mas ameaça retomar ofensivas caso ações no sul do Líbano continuem; líderes conversaram duas vezes em menos de 24 horas.
Israel suspendeu temporariamente os ataques militares contra o Irã atendendo a um pedido direto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi revelada nesta segunda-feira, 8 de junho, por uma autoridade graduada do governo israelense à emissora local Channel 12.
Apesar do recuo estratégico em relação ao território iraniano, a fonte do governo de Israel alertou que os ataques no sul do Líbano continuarão com força total nos próximos dias. Além disso, o país garantiu que voltará a bombardear os subúrbios do sul de Beirute caso o Hezbollah mantenha os ataques contra localidades israelenses.
Em contrapartida, o Irã também confirmou a suspensão momentânea de suas operações militares contra Israel. Em comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim, o Exército iraniano declarou ter dado uma “resposta contundente” em apoio ao povo do Líbano, mas avisou que adotará medidas muito mais severas e repressivas caso as agressões e os atos hostis persistam, inclusive em solo libanês.
Bastidores diplomáticos: as ligações de Trump e Netanyahu
A decisão de frear a escalada militar ocorre após uma intensa movimentação diplomática entre Washington e Tel Aviv. Fontes confirmaram à CNN que Donald Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conversaram por telefone duas vezes em um intervalo de menos de 24 horas.
- Primeiro contato (Domingo, 7): Trump instruiu expressamente o premiê israelense a adiar o lançamento de um ataque retaliatório planejado contra o Irã. O presidente americano busca abrir espaço nas negociações para costurar um acordo que ponha fim à guerra na região.
- Segundo contato (Segunda, 8): Os líderes voltaram a se falar, embora os detalhes específicos deste último diálogo não tenham sido detalhados publicamente. Netanyahu tem se mantido em silêncio sobre a crise com Teerã.
Antes dos telefonemas, o tom de Trump com o aliado já havia subido. Em declarações ao jornal Financial Times, o líder norte-americano minimizou o impacto das hostilidades nas rodadas de negociação de seu governo e disparou que Netanyahu “não manda em tudo”. “Quem manda sou eu. Eu tomo todas as decisões. Ele (Netanyahu) não manda em nada”, enfatizou o presidente dos EUA.
Instalação petroquímica atingida e nova ameaça no Mar Vermelho
Apesar da ordem de suspensão, as forças armadas de Israel confirmaram nesta segunda-feira (8) que atingiram uma planta petroquímica no sudoeste do Irã, além de outros alvos militares, antes que o recuo fosse consolidado. O ataque ao complexo petroquímico de Mahshahr causou danos parciais à estrutura e quebrou o padrão de não agressão a instalações de energia que vinha sendo mantido desde o cessar-fogo de 8 de abril.
A situação na região ganhou mais um elemento de instabilidade com a entrada dos rebeldes Houthis do Iêmen no circuito. Alinhado a Teerã, o grupo reivindicou a autoria do primeiro ataque com mísseis disparado contra Israel desde o último cessar-fogo, forçando a ativação dos sistemas de defesa aérea israelenses. Em nota oficial, os Houthis prometeram bloquear a navegação marítima de Israel no Mar Vermelho e afirmaram considerar todos os movimentos inimigos como alvos militares legítimos.
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