Na Expert XP 2026, Jeferson Bittencourt afirmou que o arcabouço fiscal atual perdeu credibilidade. Defendeu novas normas para estabilizar a trajetória da dívida pública e assegurar o cumprimento das metas.
O ex-secretário do Tesouro Nacional e atual head de Macroeconomia da Asa Investments, Jeferson Bittencourt, destacou a necessidade de novas regras fiscais para o Brasil, afirmando que o atual arcabouço fiscal perdeu credibilidade. A declaração foi feita durante a Expert XP 2026, um dos principais eventos do setor financeiro na América Latina, realizado em São Paulo.
Bittencourt enfatizou que o Brasil precisa de um conjunto de normas que estabilizem a trajetória da dívida pública e garantam o cumprimento dessas diretrizes. Ele apontou que o principal desafio para as contas públicas em 2027 não se resume apenas ao montante da dívida, mas também à velocidade com que ela cresce. “O arcabouço promove um ajuste lento da dívida. Levaria de 12 a 13 anos para chegar perto de um patamar que estabilize”, declarou.
De acordo com o ex-secretário, apesar de as regras fiscais estarem sendo cumpridas, não há evidências de que elas serão eficazes no controle da dívida, considerando a velocidade de ajuste considerada insuficiente. Para que a dívida se estabilizasse, seria necessário um superávit primário de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto). No entanto, projeções do mercado indicam que o Brasil deverá fechar o ano de 2026 com um déficit primário de 0,50%.
O arcabouço fiscal, implementado durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, substituiu o antigo Teto de Gastos. Ele limita o crescimento das despesas públicas a um percentual do aumento das receitas e estipula metas anuais para o resultado primário. Atualmente, o Brasil enfrenta um crescimento preocupante da dívida bruta e líquida.
“De um lado, a gente tem a dívida bruta, que deve fechar os últimos 4 anos com 12 pontos percentuais acima do que estava em 2022, com crescimento rápido e se aproximando do recorde histórico da pandemia. A dívida líquida vem batendo recordes sucessivos desde janeiro de 2025, e nos últimos 17 meses, a dívida líquida está se aproximando de 70%”, afirmou Bittencourt.
Além disso, Bittencourt ressaltou a importância de controlar a velocidade de crescimento das despesas obrigatórias. Ele argumentou que, embora o desgaste político para criar novas regras fiscais seja significativo, é essencial que venham acompanhadas de medidas para controlar os gastos. O atual formato das despesas públicas, que inclui pisos constitucionais para saúde e educação e despesas indexadas ao salário mínimo, dificulta um ajuste fiscal mais rápido, já que essas despesas tendem a crescer automaticamente.
A Expert XP 2026, onde as declarações de Bittencourt foram feitas, ocorre de 23 a 25 de julho no São Paulo Expo e reúne economistas, empresários e executivos do setor financeiro em discussões sobre o cenário econômico do Brasil e da América Latina.
LEIA TAMBÉM
Valmir de Francisquinho garante passagem a R$ 3 na Grande Aracaju e defende legado em Itabaiana
16 de setMPSE leva Ouvidoria Itinerante a mercados de Aracaju e atende público
16 de setEleitorado acima de 70 anos ultrapassa 157 mil em Sergipe para as Eleições 2026
15 de setReceba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

