Promotor chamou advogados de aliados de criminosos e defesa acusou MP de acesso ilegal a documentos sigilosos. Sessão quase foi abandonada.
O primeiro dia do julgamento dos policiais militares acusados pela morte do empresário Antônio Vinícius Gritzbach ocorreu com intensos embates verbais e ameaças de abandono do plenário no Fórum de Guarulhos. O clima tenso foi exacerbado quando a defesa dos réus acusou o Ministério Público de “cinismo” após a revelação de que o perito criminal da acusação teve acesso prévio a documentos sigilosos da defesa.
Durante o julgamento, o promotor de justiça, em uma fala polêmica, sugeriu que os advogados da defesa estavam em sintonia com o “bando dos criminosos”, provocando protestos imediatos e interrupções na sessão. O incidente refletiu a alta tensão entre as partes envolvidas no caso.
A controvérsia começou durante o depoimento do perito Leandro, que é professor da Academia de Polícia e admitiu ter se encontrado com a promotoria antes do início do Tribunal do Júri. A defesa alegou que esse encontro e o acesso do especialista ao parecer técnico dos assistentes dos réus, enquanto o processo ainda estava sob sigilo, configuraram uma “jogada” processual que comprometeu a imparcialidade da prova técnica.
Os advogados Renato Soares e Cláudio Dalledone Júnior levantaram uma questão de ordem, defendendo que a imparcialidade estava comprometida. A acusação, por sua vez, defendeu a legalidade do encontro, iniciando uma troca de insultos que intensificou a contenda.
No julgamento, três policiais militares estão sendo julgados como participantes do crime que vitimou Gritzbach e o motorista de aplicativo Celso Araujo Sampaio de Novais. Denis Antonio Martins e Ruan Silva Rodrigues são apontados como os autores dos disparos que resultaram na morte dos homens, enquanto Fernando Genauro da Silva é identificado como o motorista do veículo utilizado no crime.
Durante o processo, serão ouvidas 21 testemunhas, incluindo nove de acusação e outras de defesa. O Tribunal do Júri inicia com o sorteio dos jurados, onde 25 pessoas são selecionadas, das quais sete formarão o Conselho de Sentença responsável por decidir sobre a condenação ou absolvição dos réus.
Após a leitura das peças principais do processo, o Conselho de Sentença se inteirará do caso, e as oitivas de testemunhas e interrogatórios dos réus seguirão. Em seguida, ocorrerão os debates entre acusação e defesa, onde as partes expõem suas teses. O julgamento culminará com a votação do Conselho de Sentença e a leitura da sentença pelo juiz.
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