O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), aumentou a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que a tramitação da PEC do Fim da Escala 6×1 seja acelerada. Uczai fez suas declarações em meio a críticas à presidência do Senado, após acusar Alcolumbre de ser um “inimigo dos trabalhadores”.
Ele destacou que a bancada petista está disposta a intensificar a mobilização caso a proposta não seja despachada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. “A posição da nossa bancada é estar mobilizando a sociedade brasileira”, afirmou Uczai. “Nesta semana, vamos aguardar o posicionamento do presidente até a próxima semana. Se ele não se movimentar, nós vamos ampliar a mobilização, sim, porque é legítimo.”
Questionado sobre como essa mobilização deve ocorrer, o deputado mencionou que será feita “nas redes e nas ruas”. As declarações de Uczai surgem após Alcolumbre ter divulgado uma nota oficial reprovando as críticas do líder petista. No documento, o comando do Senado afirmou que “esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado” e ressaltou que a definição da pauta é prerrogativa da presidência do Senado, não estando sujeita a pressões político-eleitorais.
Apesar da reação do Senado, Uczai expressou esperança de uma solução negociada e disse que pretende mudar o tom de suas declarações se Alcolumbre encaminhar a proposta para a CCJ. “Eu quero elogiar o Davi Alcolumbre na próxima semana”, declarou. “Quero elogiar publicamente, na tribuna, se ele encaminhar a proposta devidamente formada para a CCJ.”
O deputado também cobrou uma justificativa para a demora na tramitação da PEC e argumentou que a matéria deve ser submetida aos senadores. “O presidente do Senado pode muito, mas não pode tudo. Deixa a democracia decidir”, afirmou. “Esta semana é uma semana de negociação, de diálogo com Alcolumbre, com as centrais sindicais e com lideranças do governo.”
A PEC do Fim da Escala 6×1 foi aprovada pela Câmara dos Deputados no final de maio e aguarda o despacho de Alcolumbre para iniciar sua tramitação no Senado. A proposta visa reduzir a jornada máxima semanal de trabalho de 44 para 40 horas, garantindo duas folgas semanais, na escala 5×2. Antes de ser discutida no plenário do Senado, a PEC precisa ser analisada pela CCJ.
Na última semana, Alcolumbre se reuniu com a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e representantes das centrais sindicais para discutir o projeto. Embora tenha reafirmado disposição para debater o tema, não se comprometeu com um calendário para a votação. O presidente do Senado declarou ser favorável ao fim da escala 6×1, mas defendeu alterações no texto aprovado pela Câmara, incluindo a retirada da regra que prevê a entrada em vigor da nova jornada 60 dias após a promulgação da emenda.


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