No 25º Congresso do Agronegócio, em São Paulo, a B3 informou que investidores pessoa física já têm exposição ao setor por meio de produtos negociados em bolsa. O agronegócio movimentou R$3,2 trilhões em 2025.
Mais de 3 milhões de investidores pessoas físicas já têm exposição ao agronegócio por meio de produtos negociados na B3. Os dados foram divulgados durante o 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado nesta segunda-feira (10) em São Paulo.
O agronegócio é responsável por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país e movimentou R$ 3,2 trilhões em 2025. Este setor demanda volumes crescentes de recursos para financiar produção, expansão, tecnologia e ganhos de produtividade. O evento discute a aproximação entre o agronegócio e o mercado de capitais, que tem se tornado uma fonte complementar de financiamento e uma ferramenta de gestão de riscos para produtores e empresas da cadeia agroindustrial.
“O agronegócio brasileiro alcançou uma dimensão que exige fontes de recursos cada vez mais diversificadas, recorrentes e adequadas aos diferentes projetos e momentos da cadeia”, afirmou um representante da B3.
O vice-presidente de Produtos e Clientes da B3 destacou a importância do crédito direcionado, como o Plano Safra, enquanto o mercado de capitais amplia as alternativas de financiamento, aproximando produtores e investidores. A atividade no mercado de capitais brasileiro tem mostrado forte crescimento, com ofertas totalizando R$ 361,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, um recorde para o período. A renda fixa respondeu por R$ 288 bilhões desse total, enquanto as emissões de Fiagros, que são Fundos de Investimento nas Cadeias Agroindustriais, somaram R$ 8,3 bilhões, apresentando um crescimento significativo em relação ao ano anterior.
Os instrumentos de financiamento do agronegócio também estão em expansão. O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) registradas na B3 superou R$ 474 bilhões em junho de 2026. As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) alcançaram R$ 563 bilhões, e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) somaram R$ 174 bilhões. Comparando-se a junho de 2025, observa-se um aumento no estoque de CPRs, que estava acima de R$ 418 bilhões, e no de CRAs, que era de R$ 160 bilhões.
Os Fiagros também têm ampliado a participação de investidores no agronegócio, com cerca de 57 fundos disponíveis na bolsa e mais de 600 mil investidores pessoas físicas. Esses fundos permitem direcionar recursos para diferentes atividades e ativos ligados às cadeias agroindustriais, aumentando as oportunidades de investimento no setor.
Além da captação de recursos, o mercado de capitais oferece instrumentos para proteção contra oscilações de preços de commodities. Contratos futuros e opções negociados na B3 são utilizados por produtores, cooperativas e empresas da cadeia para mitigar riscos financeiros. Por exemplo, no contrato futuro de boi gordo, o volume médio diário negociado cresceu de cerca de R$ 650 milhões em 2025 para R$ 935 milhões em 2026.
Outro aspecto importante é a entrada de empresas de menor porte no mercado de capitais, com a vigência do Regime FÁCIL, que simplifica as regras para companhias com receita bruta anual de até R$ 500 milhões. Desde março, cerca de R$ 150 milhões foram captados por meio de emissões de debêntures e notas comerciais realizadas na B3 dentro deste novo regime, ampliando as opções de financiamento para empresas do agronegócio.
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