O tenente-coronel Mauro Cid, delator da tentativa de golpe de Estado e ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu um convite para atuar como professor visitante em um curso sobre defesa e segurança na Espanha. A informação foi divulgada por fontes confiáveis.
O convite ocorre enquanto Cid finaliza sua transição para a reserva remunerada do Exército. De acordo com a Força, ele também foi orientado a deixar o imóvel funcional onde residia, localizado no Setor Militar Urbano, em Brasília.
A viagem ao país europeu está condicionada à autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma manifestação enviada ao ministro Alexandre de Moraes, a defesa de Cid informou que ele pretende residir na região do Grande Colorado, no Distrito Federal, até que a Corte tome uma decisão acerca do pedido para que ele possa lecionar no exterior.
O pedido para deixar o Brasil está sendo analisado enquanto Cid busca encerrar o cumprimento da pena resultante do acordo de colaboração premiada com a Justiça. Em junho, Moraes estipulou um prazo de 5 dias para que a Procuradoria Geral da República (PGR) se pronunciasse sobre um recurso da defesa, que solicita a extinção da pena de 2 anos.
Os advogados de Cid argumentam que as medidas cautelares que lhe foram impostas desde 2023, como o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar noturno, a proibição de deixar uma área determinada e a necessidade de comparecimento periódico à Justiça, devem ser levadas em conta para o abatimento da pena.
Mauro Cid possui um currículo acadêmico robusto. Ele é doutor em Ciências Militares pelo Instituto Meira Mattos, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), mestre em Operações Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).
Durante sua carreira militar, Cid completou cursos de Guerra Irregular e de Ações de Comandos, ambos voltados para operações especiais do Exército. Além disso, participou de missões da Organização das Nações Unidas (ONU). Entre 2012 e 2013, atuou como observador militar e oficial de ligação na missão de paz no Chipre. Em 2014, esteve envolvido no planejamento do envio de tropas brasileiras para a força da ONU no Líbano.
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