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Política

Melo alerta: transição política do Brasil precisa de novas lideranças

Carlos Melo analisa a transição política no Brasil e a falta de novas lideranças.

26/07/2026 · 00h00 · Atualizado às 18h18
Melo alerta: transição política do Brasil precisa de novas lideranças

O cientista político Carlos Melo afirma que o país atravessa um 'interregno' e enfrenta falta de lideranças capazes de renovar o cenário. Ele defende avaliar as transformações sociais antes de qualquer disputa política.

O Brasil atravessa um período de transição política caracterizado pela falta de novas lideranças que possam substituir as forças que dominaram o cenário nacional nos últimos anos. Essa análise foi feita pelo cientista político e professor do Insper, Carlos Melo, durante sua participação no programa WW Especial.

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Melo destacou que o momento atual deve ser examinado também à luz das transformações sociais que estão em curso, antes mesmo de se iniciar qualquer disputa política. Ao comentar sobre o conceito de “interregno”, associado ao filósofo italiano Antonio Gramsci, ele explicou que o país vive uma fase de transição, onde antigas estruturas perdem força, enquanto novas ainda não se consolidaram.

“Há alguns anos, Sérgio Abranches tomou emprestado um termo de Gramsci para definir esse momento: o de que estaríamos vivendo um interregno, uma sociedade em transformação, em que ‘a sociedade onde nós nascemos está se desmanchando e uma nova sociedade está se colocando’”, disse Melo.

Ele ressaltou que esse processo não ocorre de forma imediata. “O velho está agonizando, mas o novo ainda não nasceu ou não despertou toda a sua potencialidade”, explicou, ressaltando que períodos de transição costumam ser acompanhados por incertezas e pela permanência temporária de lideranças e grupos que pertencem ao ciclo anterior.

“Setores sociais remanescentes do passado estão colocados e não conseguem ser substituídos imediatamente. Há um tempo, há um interregno, há um vazio. Lideranças novas não surgem”, acrescentou.

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Melo também observou que esse fenômeno não é exclusivo do Brasil, ocorrendo em diferentes momentos da história, com períodos de instabilidade até a formação de novas forças políticas. Ele avaliou que a eleição de 2026 pode representar um marco para o encerramento desse ciclo, possibilitando uma reorganização política a partir da próxima década.

“Talvez essa eleição de 2026 encerre esse processo em 2030. Nós viveremos provavelmente o pós-Lula, nós viveremos o pós-Jair Bolsonaro, e talvez outras figuras possam se colocar para a próxima eleição”, declarou.

Na visão de Carlos Melo, o cenário atual ainda é dominado por duas forças de rejeição: o antipetismo e o antibolsonarismo, que representam as principais bases de disputa política no país neste momento. “Um [a esquerda] faz uma crítica muito forte ao mundo, à realidade que nós vivemos pela direita, outro [a direita] faz uma crítica forte pela esquerda e despertam os seus contrários”, comentou.

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Ele destacou que a força relativa de cada uma dessas correntes pode variar conforme a conjuntura política. “Qual é a mais forte entre elas vai depender muito do escândalo da semana, vai depender muito do momento, mas são essas duas forças”, ressaltou. Para o cientista político, novas lideranças ainda não conseguiram ocupar esse espaço deixado pela transição. “Outras ainda não se colocaram, mas é uma questão de tempo, talvez muito tempo para que possam se colocar”, concluiu.

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O cientista político Carlos Melo afirma que o país atravessa um 'interregno' e enfrenta falta de lideranças capazes de renovar o cenário. Ele defende avaliar as transformações sociais antes de qualquer disputa política.

O Brasil atravessa um período de transição política caracterizado pela falta de novas lideranças que possam substituir as forças que dominaram o cenário nacional nos últimos anos. Essa análise foi feita pelo cientista político e professor do Insper, Carlos Melo, durante sua participação no programa WW Especial.

Melo destacou que o momento atual deve ser examinado também à luz das transformações sociais que estão em curso, antes mesmo de se iniciar qualquer disputa política. Ao comentar sobre o conceito de “interregno”, associado ao filósofo italiano Antonio Gramsci, ele explicou que o país vive uma fase de transição, onde antigas estruturas perdem força, enquanto novas ainda não se consolidaram.

“Há alguns anos, Sérgio Abranches tomou emprestado um termo de Gramsci para definir esse momento: o de que estaríamos vivendo um interregno, uma sociedade em transformação, em que ‘a sociedade onde nós nascemos está se desmanchando e uma nova sociedade está se colocando’”, disse Melo.

Ele ressaltou que esse processo não ocorre de forma imediata. “O velho está agonizando, mas o novo ainda não nasceu ou não despertou toda a sua potencialidade”, explicou, ressaltando que períodos de transição costumam ser acompanhados por incertezas e pela permanência temporária de lideranças e grupos que pertencem ao ciclo anterior.

“Setores sociais remanescentes do passado estão colocados e não conseguem ser substituídos imediatamente. Há um tempo, há um interregno, há um vazio. Lideranças novas não surgem”, acrescentou.

Melo também observou que esse fenômeno não é exclusivo do Brasil, ocorrendo em diferentes momentos da história, com períodos de instabilidade até a formação de novas forças políticas. Ele avaliou que a eleição de 2026 pode representar um marco para o encerramento desse ciclo, possibilitando uma reorganização política a partir da próxima década.

“Talvez essa eleição de 2026 encerre esse processo em 2030. Nós viveremos provavelmente o pós-Lula, nós viveremos o pós-Jair Bolsonaro, e talvez outras figuras possam se colocar para a próxima eleição”, declarou.

Na visão de Carlos Melo, o cenário atual ainda é dominado por duas forças de rejeição: o antipetismo e o antibolsonarismo, que representam as principais bases de disputa política no país neste momento. “Um [a esquerda] faz uma crítica muito forte ao mundo, à realidade que nós vivemos pela direita, outro [a direita] faz uma crítica forte pela esquerda e despertam os seus contrários”, comentou.

Ele destacou que a força relativa de cada uma dessas correntes pode variar conforme a conjuntura política. “Qual é a mais forte entre elas vai depender muito do escândalo da semana, vai depender muito do momento, mas são essas duas forças”, ressaltou. Para o cientista político, novas lideranças ainda não conseguiram ocupar esse espaço deixado pela transição. “Outras ainda não se colocaram, mas é uma questão de tempo, talvez muito tempo para que possam se colocar”, concluiu.

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