Somente 22% dos participantes de um estudo com 3.954 pessoas ligadas ao tráfico de drogas concluíram o ensino médio. Divulgada nesta segunda-feira (17), a pesquisa Raio-X da Vida Real, do Instituto Data Favela em parceria com a Central Única das Favelas (Cufa), indica que mais da metade interrompeu os estudos antes dessa etapa.
Níveis de escolaridade
O levantamento detalha a formação dos entrevistados:
• ensino médio completo – 22%
• ensino médio incompleto – 16%
• ensino fundamental completo – 13%
• ensino fundamental incompleto – 35%
• sem instrução – 7%
Questionados sobre o que fariam de forma diferente, 41% responderam que teriam estudado ou concluído a formação escolar. “Eles reconhecem que a educação poderia ter mudado o rumo de suas vidas”, afirmou o copresidente do Data Favela e presidente da Cufa Global, Marcus Vinícius Athaye, ao apresentar os dados.
Interesse por curso superior
Entre as carreiras desejadas, Direito aparece em primeiro lugar (18%), seguida de Administração (13%), Medicina/Enfermagem (11%), Engenharia/Arquitetura (11%) e Jornalismo/Publicidade (7%).
Renda e mercado de trabalho
Para seis a sete em cada dez entrevistados, a combinação de baixa escolaridade e falta de oportunidades impede ganhos superiores a dois salários mínimos.
Família e vínculos afetivos
O estudo identifica que 35% cresceram em famílias consideradas tradicionais, enquanto 38% vêm de arranjos monoparentais — destes, 79% chefiados por mães. A figura materna é apontada como a pessoa mais importante por 43% dos participantes; filhos (22%), avós (7%) e pais (7%) vêm em seguida. Outros 4% não indicaram ninguém importante e 6% não responderam.
Sonho da casa própria
O principal sonho de consumo é ter uma casa (28%), seguido pela compra de um imóvel para a família (25%). Entre os jovens de 22 a 26 anos, 35% desejam adquirir residência para os parentes; a proporção cai para 27% entre 27 e 31 anos e chega a 30% após os 50.
Segundo a CEO do Data Favela, Cléo Santana, esse desejo coincide com o da população brasileira que não tem vínculo com o crime.
Saúde mental
Problemas como insônia (39%), ansiedade (33%), depressão (19%), alcoolismo (13%) e crises de pânico (9%) são frequentes. Entre os ansiosos, 70% recebem até um salário mínimo, e a taxa sobe para 72% entre quem iniciou, mas não finalizou, o ensino superior.
Motivos para entrada no crime
Baixa remuneração, alcoolismo, drogas e violência doméstica foram citados por 13% dos entrevistados como fatores que os levaram ao tráfico. Para a coordenadora de pesquisas do Data Favela, Bruna Hasclepildes, a escolha pela atividade ilícita “reflete a ausência de políticas públicas e desigualdades históricas” que atingem favelas e população negra.
Quando questionados se sentem orgulho do que fazem, 68% responderam negativamente.
Principais problemas do país
Pobreza e desigualdades lideram a lista de preocupações, apontadas por 42% dos entrevistados, seguidas de corrupção (33%), violência (11%), falta de acesso à educação (7%) e à saúde (4%).
As entrevistas foram realizadas presencialmente em áreas de atuação criminosa de favelas em 23 estados, entre 15 de agosto e 20 de setembro de 2025.
Com informações de Agência Brasil
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