Uma mobilização em várias cidades brasileiras, realizada no domingo, 17 de maio de 2026, chamou atenção para a fibromialgia e reivindicou ações que assegurem atendimento e direitos no Sistema Único de Saúde (SUS). Em Brasília, a iniciativa aconteceu no Parque da Cidade e ofereceu atividades como sessões de acupuntura, liberação miofascial, orientações sobre fisioterapia, atendimento psicológico e rodas de conversa sobre a síndrome.
Organizadora do evento e servidora pública, Ana Dantas, de 45 anos, afirma que a mobilização tem como objetivo ampliar a visibilidade da condição e pressionar por políticas públicas mais efetivas. Ela descobriu a fibromialgia há pouco mais de um ano e relatou limitações nas tarefas diárias: atividades que antes levavam minutos hoje demandam horas, há perda de memória e dor generalizada pelo corpo.
No plano legal, o Brasil avançou em 2023 com uma lei federal que estabeleceu diretrizes para o atendimento a pessoas com fibromialgia pelo SUS, prevendo abordagem multidisciplinar, divulgação de informações sobre a doença e capacitação de profissionais de saúde. Apesar da legislação, ainda há dificuldade de acesso ao diagnóstico e a tratamentos especializados pela rede pública.
O enquadramento jurídico equipara, em termos de direitos, pessoas com fibromialgia a Pessoas com Deficiência (PcD), mas condiciona essa equiparação à aprovação em avaliação biopsicossocial. A norma também abre possibilidades de concessão de auxílio por incapacidade temporária (auxílio-doença), aposentadoria por invalidez e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), quando cabíveis.
Sintomas e tratamento
A fibromialgia é uma síndrome crônica marcada por dores musculares e articulares difusas, frequentemente acompanhadas por fadiga intensa, distúrbios do sono, dificuldade de concentração (a chamada “névoa mental”) e alterações de humor. Embora não provoque inflamação visível ou deformações, a condição compromete a qualidade de vida e a capacidade de trabalhar.
Especialistas associam a síndrome a alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso central, que passa a amplificar sensações dolorosas. Fatores como estresse prolongado, traumas físicos ou emocionais, ansiedade, depressão e predisposição genética também podem contribuir. A condição é mais frequente entre mulheres de 30 a 60 anos, mas pode atingir pessoas de qualquer idade e gênero.
O diagnóstico é clínico, baseado na avaliação médica e na exclusão de outras doenças com sintomas semelhantes. O tratamento costuma combinar medicamentos para controlar dor, melhorar o sono e tratar sintomas associados; exercícios regulares — como caminhada, hidroginástica e alongamentos; além de fisioterapia, terapias psicológicas, técnicas de relaxamento e mudanças no estilo de vida. Embora não exista cura definitiva, muitas pessoas conseguem controle dos sintomas e manutenção da rotina.
A psicóloga Mariana Avelar ressalta a importância da psicoeducação para que pacientes compreendam limitações e recebam acolhimento, já que a síndrome pode afetar a autoestima. A enfermeira Flávia Lacerda, que também participou da mobilização, aponta que o acesso a benefícios segue burocrático e que muitos profissionais de saúde ainda desconhecem a lei de 2023, o que dificulta a implementação das políticas previstas.
A mobilização deste domingo faz parte de esforços contínuos por maior reconhecimento, acesso a tratamentos integrados e efetivação dos direitos previstos na legislação.
Com informações de Agência Brasil
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