O Ministério Público Eleitoral contestou a decisão que suspendeu pesquisa sobre impacto de conversa envolvendo Flávio Bolsonaro. Parecer foi enviado ao TSE nesta segunda-feira (22).
O Ministério Público Eleitoral enviou, nesta segunda-feira (22), um parecer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se manifestando contra a decisão do ministro Nunes Marques, presidente do TSE, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa de intenção de voto realizada pela AtlasIntel.
A pesquisa foi feita após a divulgação de uma conversa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, com o objetivo de avaliar o impacto dessa notícia nas intenções de voto dos eleitores.
O parecer foi encaminhado em resposta a um recurso do PL que questionava a decisão do ministro. O vice-procurador eleitoral, Alexandre Espinosa, ressaltou que a intervenção da Justiça Eleitoral em pesquisas deve ser uma exceção e ocorrer apenas quando houver uma intervenção indevida na formação da opinião dos entrevistados.
“A intervenção da Justiça Eleitoral nas pesquisas eleitorais somente deve ser admitida em situações excepcionais, nas quais fique sobejamente demonstrada uma quebra objetiva do dever de equidistância e imparcialidade no levantamento científico realizado, com evidências concretas que permitam concluir uma indução que represente significativa interferência indevida na livre formação da opinião dos entrevistados”, afirmou Espinosa.
Em 8 de junho de 2026, o presidente do TSE decidiu suspender a divulgação da pesquisa, alegando que a mesma poderia induzir as respostas dos eleitores. A pesquisa, divulgada em 19 de maio, revelou uma queda de 5 pontos na intenção de voto de Flávio Bolsonaro após a divulgação do diálogo com Vorcaro.
A suspensão foi um pedido do PL, que questionou a inclusão de perguntas relacionadas ao caso Master e a apresentação de um áudio em que Flávio solicita dinheiro a Vorcaro para financiar a cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com a decisão de Nunes Marques, a pesquisa ficou impossibilitada de ser publicada nos canais oficiais da AtlasIntel e de ser impulsionada nas redes sociais. No dia 9 de junho, o plenário do TSE iniciou a análise para decidir se a liminar do ministro seria confirmada, mas um pedido de vista da ministra Estela Aranha paralisou o julgamento. A nova data para a continuidade da análise ainda não foi definida.
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