O Ministério Público de Sergipe (MPSE) apresentou denúncia criminal contra Tiago Sóstenes Miranda de Matos, acusado de matar a empresária Flávia Barros dos Santos em um hotel de Aracaju, e requereu que ele seja submetido a júri popular. A peça acusatória foi protocolada pela 3ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Aracaju e divulgada em 26 de maio.
Segundo o MPSE, Tiago responde por feminicídio consumado, com pedido de reconhecimento de duas circunstâncias que agravam a pena: emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima — ao invadir o quarto durante o período de repouso noturno — e o uso de arma de fogo de uso restrito no contexto de violência doméstica. Após o crime, o flagrante foi convertido em prisão preventiva; policiais militares, acionados por testemunhas, encontraram o suspeito deitado ao lado do corpo.
Apuração e versão formal
O inquérito policial, conforme a acusação, aponta que o denunciado arrombou a porta do quarto onde a vítima estava hospedada e disparou várias vezes de curta distância, com tiros que atingiram principalmente a cabeça de Flávia, enquanto ela estava na cama. A arma empregada foi uma pistola calibre .40, de uso restrito, registrada à Secretaria de Administração Penitenciária do Estado da Bahia — órgão ao qual Tiago era vinculado e do qual tinha porte funcional.
A denúncia caracteriza o crime como motivado pela condição de sexo feminino, configurando violência doméstica e familiar e ação movida por motivo torpe. O relacionamento entre os dois, que durou alguns meses, teria sido marcado por ciúmes excessivo, comportamento possessivo e tentativas de controle por parte do acusado. Dias antes do homicídio, Flávia havia terminado a relação após Tiago efetuar disparos para o alto em uma festividade de Paulo Afonso (BA), mas retornou ao relacionamento depois de pedidos de desculpas dele.
O MPSE também relata que o acusado mantinha dupla vida: ocultava ser legalmente casado e ter família em outro Estado, enquanto publicamente estava noivo de Flávia. Na noite anterior ao crime, em uma festa em Aracaju, ele teria saído contrariado e permanecido fora do hotel aguardando o retorno da companheira; imagens de segurança teriam registrado tentativas de contato por celular antes da invasão do quarto.
Diligências requisitadas
Em razão da gravidade do caso, o Ministério Público solicitou diligências complementares, entre elas os laudos periciais definitivos de balística e toxicologia, e a extração de dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos — incluindo os celulares da vítima e do acusado e um notebook. Foi oficiado à Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia o envio do histórico funcional do servidor e o compartilhamento de provas com a Comarca de Paulo Afonso para apurar, também, os disparos registrados naquele município.
Com o recebimento da denúncia pela 5ª Vara Criminal da Comarca de Aracaju, o processo seguirá pelo rito do Tribunal do Júri.
Relembre o caso: Na madrugada de 22 de março, Flávia foi encontrada morta por disparos em um quarto de hotel; a polícia localizou a porta arrombada e o casal sobre a cama, ambos feridos. Flávia não resistiu e morreu no local. Tiago foi socorrido ao Huse, recebeu alta alguns dias depois, passou por audiência de custódia e teve a prisão preventiva mantida. Ele está detido no Presídio Militar de Sergipe.
No dia 23 de março, Tiago foi exonerado do cargo de diretor do Conjunto Penal de Paulo Afonso. Em 9 de abril retornou ao Huse para avaliação médica, realizou exames e recebeu alta em 17 de abril. Em 12 de maio, autoridades localizaram um celular e dois carregadores na cela do acusado no Presídio Militar do Estado de Sergipe, o que motivou procedimento administrativo e a instauração de um Inquérito Policial Militar para apurar como o aparelho entrou na unidade prisional.
Com informações de Infonet
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