O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou recentemente um aumento na mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, elevando o percentual de 30% para 32%. Essa nova medida, denominada E32, entrará em vigor no dia 1º de agosto, com validade inicial de seis meses e possibilidade de prorrogação.
No entanto, a decisão levantou preocupações na indústria automotiva. A Anfavea, associação que representa os fabricantes de veículos automotores, expressou objeções, ressaltando que nem todos os automóveis estarão adequadamente adaptados para o novo percentual de etanol. O analista de clima e meio ambiente, Pedro Côrtes, explicou que “isso se dá principalmente com carros importados, que não foram adaptados, e também em uma parte importante da frota de motocicletas e scooters, que utilizam gasolina e não estariam adequadas ao aumento dessa mistura”.
A justificativa do governo para a mudança é que ela contribuirá para a redução da importação de gasolina e petróleo, mantendo os preços dos combustíveis em níveis mais favoráveis. Côrtes destacou que, com cerca de 79% da frota composta por veículos flex, o aumento de 2 pontos percentuais não deve representar uma alteração significativa no desempenho para a maioria dos motoristas brasileiros. “Para esses 79%, esse aumento representa uma mudança muito pequena, que, na verdade, até melhora o desempenho e reduz um pouco o consumo”, afirmou.
Dados do Ministério de Minas e Energia indicam que a participação dos veículos flex na frota nacional deve se manter em torno de 76% até 2035. Essa possível queda se deve à projeção de crescimento da frota de veículos eletrificados, que atualmente representa apenas 2% do total.
O principal problema da mudança, segundo Côrtes, se concentra nos veículos movidos exclusivamente a gasolina, que atualmente representam 11% da frota nacional. “Há também as motos e scooters que podem ter prejuízo no seu desempenho e na durabilidade dos seus equipamentos”, observou o analista. Em relação ao diesel, a medida não traz alterações, mas o governo sinalizou a intenção de aumentar a proporção de biodiesel no diesel refinado, embora ainda não tenha havido uma decisão formal sobre esse assunto.
Apesar das preocupações, Côrtes ressaltou que há atualmente um excedente de etanol disponível no mercado, com preços em queda, tornando a mistura vantajosa do ponto de vista econômico. Além dos impactos na balança comercial, ele destacou que a medida proporciona benefícios ambientais relevantes. “O etanol é um combustível de fonte renovável, que não acumula gases de efeito estufa na atmosfera”, explicou. Ele também adicionou que o nível de emissão de poluentes do etanol é inferior ao dos combustíveis fósseis, resultando em ganhos ambientais adicionais.
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