Investigação aponta que três crianças perderam a visão sob circunstâncias misteriosas; suspeita foi detida após descumprir medida cautelar de afastamento.
Uma investigação conduzida pela Delegacia Regional de Itabaiana resultou na prisão de uma mulher de 29 anos, residente da zona rural do município, suspeita de cometer um crime hediondo contra os próprios filhos. Ela é acusada de provocar ou agravar a cegueira de três de suas quatro crianças com o objetivo deliberado de obter o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) pago pelo INSS.
Descoberta e Suspeita Médica
O caso começou a vir à tona após uma criança de apenas dois anos de idade dar entrada no Hospital Regional de Itabaiana apresentando uma perda súbita e severa da visão. Sem uma causa clínica aparente ou diagnóstico conclusivo que justificasse a condição, a menina foi transferida para o Hospital de Urgências de Sergipe (Huse), em Aracaju, e posteriormente encaminhada ao Hospital Universitário (HU).
Diante da falta de respostas médicas claras e da estranheza do quadro, a equipe do HU acionou o Conselho Tutelar. O órgão, por sua vez, notificou a Polícia Civil, disparando as investigações que revelaram um padrão alarmante no núcleo familiar.
Três irmãos cegos e a motivação financeira
Com o avanço dos trabalhos da Delegacia de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV) de Itabaiana, os policiais constataram que outros dois filhos da mulher — um adolescente de 13 anos e um bebê de apenas 9 meses — também eram completamente cegos.
De acordo com as autoridades, a suspeita já recebia um auxílio financeiro do INSS em decorrência da condição do filho mais velho e, no momento da apuração, tentava aprovar um segundo benefício destinado à filha caçula. A única criança que não apresentava problemas de visão é um menino de 5 anos, que já recebe uma pensão por morte previdenciária em função do falecimento do pai.
A delegada responsável pelo caso, Josefa Valéria Andrade, confirmou que a mulher responderá por lesão corporal gravíssima por resultar em enfermidade incurável.
“A suspeita é que ela estivesse causando ou agravando a situação de saúde dos filhos com o objetivo de receber o benefício social”, explicou a autoridade policial.
Descumprimento de ordem judicial e destino das crianças
A prisão preventiva foi decretada após a investigada descumprir uma medida protetiva expedida pela Justiça há duas semanas, que determinava o seu afastamento imediato do convívio com as crianças. Mesmo proibida, ela continuava visitando e mantendo contato frequente com as vítimas, chegando a orientá-las sobre como se comportar caso fossem questionadas por assistentes sociais ou policiais.
O processo corre sob segredo de Justiça. Quanto ao futuro dos menores, o Juizado da Infância e da Juventude de Itabaiana avalia três alternativas padrão previstas por lei: a transferência da guarda para familiares aptos, a inclusão no Cadastro Nacional de Adoção ou o encaminhamento temporário para uma instituição de acolhimento (abrigo).
Até o fechamento desta reportagem, a defesa da acusada não foi localizada para se manifestar sobre as acusações. O espaço permanece aberto para o posicionamento de seus representantes legais.
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