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Aracaju, Terça-feira, 27 de outubro de 2026
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Mulheres do samba e pagode conquistam palcos e desafiam bastidores

Análise sobre a presença feminina no samba e pagode: trajetória, compositoras, gestão e números que mostram desigualdade nos direitos autorais.

27/10/2026 · 08h12
Mulheres do samba e pagode conquistam palcos e desafiam bastidores

Com 40 anos de rádio e 30 de observação, a autora traça a evolução das mulheres no samba e no pagode. Elas já conquistaram o espaço e o poder que merecem, ou ainda precisam provar seu lugar?

A presença das mulheres no samba e no pagode é tema de longa observação da autora. São 40 anos de rádio e mais de três décadas dedicadas a esses gêneros, tempo em que artistas construíram trajetórias e o pagode se consolidou como um dos negócios mais fortes da música brasileira. A questão central do texto é direta: as mulheres já conquistaram o espaço que merecem ou ainda precisam provar que podem ocupar os mesmos lugares que os homens?

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A história do samba não existe sem vozes femininas. Nomes como Beth Carvalho, Clara Nunes, Elza Soares, Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, Alcione, Leci Brandão e Teresa Cristina ajudaram a definir o gênero. No pagode dos anos 1990, Eliana de Lima, Adryana Ribeiro e Cristina Monteiro marcaram presença num cenário dominado por grupos masculinos. Na percussão, Laise Sapucaí abriu caminho para instrumentistas. Mart’nália e Juju Ferreira, filhas de Martinho da Vila, mostram que a história segue de geração em geração.

Essa força feminina também aparece nas rodas, que mantêm a cultura viva. O Pagode da Tia Doca e o Pagode da Tia Gessy são referências no Rio de Janeiro, enquanto o Samba da Bruneca se destaca em São Paulo. O projeto Entre Pagodeiras, idealizado por Stephany Silva, tem como objetivo fortalecer esses encontros e ampliar a visibilidade das mulheres nas rodas de samba.

Na composição, pioneiras como Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra e Leci Brandão abriram caminho. Hoje, compositoras como Thaís Saccomani, Lary e Amanda Coronha mostram a importância de reconhecer quem escreve as músicas que chegam ao público. Lary, autora de “Em Busca da Minha Sorte”, gravada por Thiaguinho, exemplifica como composições femininas já integram o repertório dos principais nomes do pagode.

O encontro entre visibilidade e reconhecimento financeiro ainda é desigual. Dados citados no texto indicam que, segundo o relatório “Mulheres na Música”, do Ecad, as mulheres representaram cerca de 10% das pessoas que receberam direitos autorais de execução pública em 2025. Entre os 100 autores com maiores rendimentos, apenas duas eram mulheres. Um estudo da União Brasileira de Compositores (UBC) também apontou que as mulheres ficaram com cerca de 10% dos direitos autorais distribuídos no país.

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O pagode contemporâneo reúne uma nova geração de mulheres com trajetórias diversas: Karinah, Marvvila, Manda Lynn, Amanda Amado, Juliana Diniz, Andressa Hayalla, Thaís Macedo, Talitta, Cinthia Ribeiro, Gabi de Paula, Gica, Rafa Laranja, Keila Regina e Sthe Oliveira. Há ainda coletivos como o Entre Elas, de Florianópolis, que lançou o projeto “Lugar de Mulher” para reforçar o protagonismo feminino.

Programas de TV e reality shows também ajudam a revelar nomes. O reality musical “Estrelas da Casa”, com Belo e Anitta em sua direção artística, destacou vozes como Juliana Franco, Vick Nunes e Hanaya. Vick e Hanaya integraram o grupo vencedor de 2026, ao lado de David Natel e Uel. O desafio apontado é transformar essa visibilidade em repertório, agenda de shows e carreiras de longo prazo.

O texto destaca que a transformação passa pelos bastidores: profissionais como Lidiane Faria, Ellen Barbosa, Clarisse Nogueira, Jennifer Klayn e Tânia Aragão atuam na gestão de carreiras, enquanto Margareth Valentim, à frente da label Quintal dos Prettos, trabalha para fortalecer a cultura das rodas também pelo lado do negócio. A indústria — rádios, gravadoras, produtoras, plataformas, contratantes e patrocinadores — tem papel decisivo para transformar visibilidade em oportunidades reais e sustentáveis.

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Após décadas acompanhando esse cenário, a conclusão é clara: não basta celebrar a voz feminina. É preciso reconhecer autoria, competência empresarial e liderança das mulheres, ampliando presença do palco às mesas de decisão, para que o talento seja acompanhado de poder e oportunidades.

Patrícia Liberato é radialista há 40 anos e acompanha o samba e o pagode desde os anos 1990.

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Com 40 anos de rádio e 30 de observação, a autora traça a evolução das mulheres no samba e no pagode. Elas já conquistaram o espaço e o poder que merecem, ou ainda precisam provar seu lugar?

A presença das mulheres no samba e no pagode é tema de longa observação da autora. São 40 anos de rádio e mais de três décadas dedicadas a esses gêneros, tempo em que artistas construíram trajetórias e o pagode se consolidou como um dos negócios mais fortes da música brasileira. A questão central do texto é direta: as mulheres já conquistaram o espaço que merecem ou ainda precisam provar que podem ocupar os mesmos lugares que os homens?

A história do samba não existe sem vozes femininas. Nomes como Beth Carvalho, Clara Nunes, Elza Soares, Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, Alcione, Leci Brandão e Teresa Cristina ajudaram a definir o gênero. No pagode dos anos 1990, Eliana de Lima, Adryana Ribeiro e Cristina Monteiro marcaram presença num cenário dominado por grupos masculinos. Na percussão, Laise Sapucaí abriu caminho para instrumentistas. Mart’nália e Juju Ferreira, filhas de Martinho da Vila, mostram que a história segue de geração em geração.

Essa força feminina também aparece nas rodas, que mantêm a cultura viva. O Pagode da Tia Doca e o Pagode da Tia Gessy são referências no Rio de Janeiro, enquanto o Samba da Bruneca se destaca em São Paulo. O projeto Entre Pagodeiras, idealizado por Stephany Silva, tem como objetivo fortalecer esses encontros e ampliar a visibilidade das mulheres nas rodas de samba.

Na composição, pioneiras como Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra e Leci Brandão abriram caminho. Hoje, compositoras como Thaís Saccomani, Lary e Amanda Coronha mostram a importância de reconhecer quem escreve as músicas que chegam ao público. Lary, autora de “Em Busca da Minha Sorte”, gravada por Thiaguinho, exemplifica como composições femininas já integram o repertório dos principais nomes do pagode.

O encontro entre visibilidade e reconhecimento financeiro ainda é desigual. Dados citados no texto indicam que, segundo o relatório “Mulheres na Música”, do Ecad, as mulheres representaram cerca de 10% das pessoas que receberam direitos autorais de execução pública em 2025. Entre os 100 autores com maiores rendimentos, apenas duas eram mulheres. Um estudo da União Brasileira de Compositores (UBC) também apontou que as mulheres ficaram com cerca de 10% dos direitos autorais distribuídos no país.

O pagode contemporâneo reúne uma nova geração de mulheres com trajetórias diversas: Karinah, Marvvila, Manda Lynn, Amanda Amado, Juliana Diniz, Andressa Hayalla, Thaís Macedo, Talitta, Cinthia Ribeiro, Gabi de Paula, Gica, Rafa Laranja, Keila Regina e Sthe Oliveira. Há ainda coletivos como o Entre Elas, de Florianópolis, que lançou o projeto “Lugar de Mulher” para reforçar o protagonismo feminino.

Programas de TV e reality shows também ajudam a revelar nomes. O reality musical “Estrelas da Casa”, com Belo e Anitta em sua direção artística, destacou vozes como Juliana Franco, Vick Nunes e Hanaya. Vick e Hanaya integraram o grupo vencedor de 2026, ao lado de David Natel e Uel. O desafio apontado é transformar essa visibilidade em repertório, agenda de shows e carreiras de longo prazo.

O texto destaca que a transformação passa pelos bastidores: profissionais como Lidiane Faria, Ellen Barbosa, Clarisse Nogueira, Jennifer Klayn e Tânia Aragão atuam na gestão de carreiras, enquanto Margareth Valentim, à frente da label Quintal dos Prettos, trabalha para fortalecer a cultura das rodas também pelo lado do negócio. A indústria — rádios, gravadoras, produtoras, plataformas, contratantes e patrocinadores — tem papel decisivo para transformar visibilidade em oportunidades reais e sustentáveis.

Após décadas acompanhando esse cenário, a conclusão é clara: não basta celebrar a voz feminina. É preciso reconhecer autoria, competência empresarial e liderança das mulheres, ampliando presença do palco às mesas de decisão, para que o talento seja acompanhado de poder e oportunidades.

Patrícia Liberato é radialista há 40 anos e acompanha o samba e o pagode desde os anos 1990.

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