Delegado esclarece que ação contra fraudes na Emsurb não possui ligação provada com dinheiro apreendido com servidor da Educação em junho, mas material recolhido pode cruzar apurações no futuro.
A Polícia Civil de Sergipe trouxe novos detalhes sobre os desdobramentos da Operação Histograma, deflagrada nesta terça-feira (25) para apurar suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos na Prefeitura de Aracaju e na Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb). Durante coletiva de imprensa, o delegado Dernival Eloi fez questão de pontuar que, até o momento, a ação não possui vínculo direto com a apreensão de R$ 240 mil em dinheiro vivo realizada em junho, quando o servidor César Dias, da Secretaria Municipal da Educação (Semed), foi alvo de denúncias.
Inquéritos distintos, mas integrados
Segundo o delegado, tratam-se de procedimentos apuratórios totalmente independentes neste momento. Embora as frentes de trabalho atuem de maneira integrada e haja a possibilidade de as provas colhidas se cruzarem no futuro, a polícia reforça que não há comprovação de que o valor em espécie encontrado com o servidor tenha relação direta com o esquema dos contratos emergenciais da limpeza urbana.
Montanha de documentos e bloqueios técnicos
Durante as buscas realizadas no início da manhã, as equipes apreenderam farto material documental, além de notebooks, computadores e telefones celulares. O trabalho de análise da perícia, no entanto, deve exigir paciência. Conforme explicou Dernival Eloi, o volume expressivo de papéis aliado ao fato de que alguns investigados não forneceram as senhas para desbloquear seus dispositivos eletrônicos tornará o processo de checagem mais complexo e demorado.
O mapa da Operação Histograma
Ao todo, a força-tarefa cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em empresas públicas, privadas e residências situadas em Aracaju, Barra dos Coqueiros e no estado da Bahia. Um dos alvos das buscas foi o ex-presidente da Emsurb, Hugo Esoj. Além da sede da Emsurb, de onde foram retirados computadores e papéis, os agentes também cumpriram mandados no prédio da prefeitura, tendo como alvo específico a Secretaria Municipal do Planejamento, Orçamento e Gestão (SEPLOG).
A investigação teve início após o recebimento de uma notícia-crime sobre graves irregularidades na coleta de lixo e conservação da capital. A Polícia Civil identificou uma manobra suspeita: a empresa investigada entrava no serviço oferecendo descontos generosos em relação ao projeto básico do município; contudo, em contratos subsequentes firmados no mesmo ano, as tarifas unitárias sofriam aumentos drásticos. A tática anulava a economia inicial, indicando uma recomposição artificial de preços. Paralelamente, o mesmo grupo econômico ampliou seus tentáculos na gestão municipal ao vencer outro certame de grande valor na Educação.
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