Previsto para domingo (30) em um Falcon Heavy, o observatório espacial vai investigar a energia escura. Dentro dele há espelhos, estruturas e eletrônica de alta precisão vindos do Escritório Nacional de Reconhecimento (NRO).
A NASA planeja lançar o telescópio espacial Nancy Grace Roman no domingo (30) a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX. Quando iniciar as atividades, o observatório espacial vai ajudar cientistas a investigar a energia escura e a ampliar o conhecimento sobre o universo, operando com componentes de alta precisão que, originalmente, foram fabricados para satélites de reconhecimento.
No interior do telescópio estão itens como o espelho primário, espelhos adicionais, estruturas de suporte e diversos componentes eletrônicos. Essas peças vieram do Escritório Nacional de Reconhecimento (NRO) dos Estados Unidos, a instituição responsável pela construção de equipamentos de espionagem para agências americanas, como a CIA.
A origem militar da tecnologia remonta ao programa de reconhecimento chamado “Future Imagery Architecture”, voltado à produção de satélites de vigilância. A iniciativa foi cancelada em 2005 devido aos custos elevados. Ainda assim, em 2012 o NRO doou à NASA dois telescópios espaciais que não chegaram a ser usados, e a semelhança estrutural com o telescópio Hubble transformou essa doação em oportunidade para a agência espacial.
A solução permitiu à NASA acelerar o desenvolvimento da missão e obter capacidades de observação comparáveis às do Hubble. Para adaptar peças concebidas para fins militares ao uso astronomico, os engenheiros precisaram substituir todos os sistemas eletrônicos e decifrar manuais técnicos que continham trechos censurados por motivos de segurança nacional.
Os ajustes e a integração deram certo: a missão Nancy Grace Roman conseguiu manter cronogramas e orçamentos ajustados, em parte porque os equipamentos foram concedidos à NASA sem custos. Em contraste, o telescópio James Webb teve custo estimado em cerca de US$ 10 bilhões.
Além disso, a NASA mantém em reserva o segundo telescópio do NRO para futuros programas espaciais, o que deve ampliar opções para missões vindouras. A combinação de tecnologia de reconhecimento reaproveitada e desenvolvimento específico para astronomia será peça-chave para a capacidade do Roman de mapear grandes regiões do céu e contribuir para estudos sobre a expansão do universo.
Na prática, o uso dessas peças mostra como materiais concebidos para finalidades militares podem ser aproveitados em projetos científicos, reduzindo tempo de desenvolvimento e custos diretos de aquisição, sem abrir mão dos requisitos técnicos exigidos para observação astronômica de alta precisão.
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