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Neurologista detalha evidências sobre uso de canabidiol após declaração de João Lucas

O cantor João Lucas, marido de Sasha Meneghel, afirmou em redes sociais que utiliza óleo de canabidiol (CBD) sob prescrição médica para auxiliar no...

28/02/2026 · 15h32 · Atualizado às 19h04
Neurologista detalha evidências sobre uso de canabidiol após declaração de João Lucas

O cantor João Lucas, marido de Sasha Meneghel, afirmou em redes sociais que utiliza óleo de canabidiol (CBD) sob prescrição médica para auxiliar no controle da ansiedade e na concentração. Ele ressaltou que o tratamento é acompanhado por um profissional de saúde, reacendendo o debate público sobre o uso terapêutico da substância no Brasil.

Ouvido pelo portal Portalleodias, o neurologista Dr. Yuri Macedo, do Hospital Badim e membro da Sociedade Brasileira de Neurologia e da Peripheral Nerve Society, explicou quais indicações do CBD têm suporte científico. Segundo o especialista, a principal indicação bem estabelecida na neurologia é o tratamento de epilepsias, em especial síndromes epilépticas raras da infância, como Dravet, Lennox-Gastaut e West.

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Dr. Yuri afirmou que o canabidiol pode ser utilizado como terapia complementar em outros tipos de epilepsia, especialmente em casos refratários, nos quais as evidências para efeito anticonvulsivante são mais sólidas. Já para dor neuropática, as formulações que combinam CBD e THC vêm sendo estudadas, mas ainda faltam estudos em maior escala que sustentem sua adoção como primeira linha terapêutica.

Sobre doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer, o neurologista esclareceu que não há comprovação de melhora cognitiva ou reversão dos sintomas com o uso de derivados da cannabis. Em alguns pacientes pode ocorrer controle comportamental — redução de agressividade ou irritabilidade —, mas não há indicativo de recuperação da memória ou das capacidades perdidas.

As condições mais frequentemente mencionadas por quem procura produtos à base de cannabis são ansiedade, insônia e enxaqueca. Dr. Yuri destacou que, até o momento, não existe evidência científica robusta que permita recomendar o CBD como tratamento principal para esses transtornos. Ele citou exemplos de produtos comercializados para o sono, como combinações de cannabigerol com melatonina, que ainda não contam com suporte científico consolidado.

Conforme o médico, formulações à base de canabinoides podem ser testadas de forma alternativa durante a trajetória terapêutica, principalmente quando tratamentos convencionais falham e considerando a experiência do prescritor e a vontade do paciente. Para insônia, reforçou-se que medidas de higiene do sono e o tratamento de comorbidades, como ansiedade e depressão, permanecem como estratégias prioritárias.

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Dr. Yuri Macedo

Quanto aos efeitos adversos, o neurologista observou que doses baixas costumam ser bem toleradas, com relatos de alterações gastrointestinais e elevação de enzimas hepáticas. Em doses mais altas, há risco de sonolência, alterações do sono e dor abdominal. Formulações com maior teor de THC podem, em alguns casos, precipitar sintomas psiquiátricos, inclusive episódios psicóticos.

Dr. Yuri também ressaltou a necessidade de retirada gradual sob supervisão médica, devido à presença de receptores cerebrais que interagem com os canabinoides. No Brasil, o canabidiol pode ser obtido mediante prescrição médica com receituário tipo B1; existem produtos em farmácias, opções de importação com cadastro na Anvisa (autorização válida por até dois anos, renovável) e associações autorizadas a produzir para grupos específicos de pacientes.

Para o especialista, a decisão de iniciar o tratamento deve ser individualizada e tomada em conjunto com um profissional que avalie os benefícios potenciais e gerencie expectativas. A declaração de João Lucas ampliou a visibilidade do tema, mas autoridades e especialistas reforçam que a escolha pelo uso do canabidiol precisa estar ancorada em avaliação médica criteriosa, sobretudo quando se trata de indicações sem evidência científica consolidada.

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O cantor João Lucas, marido de Sasha Meneghel, afirmou em redes sociais que utiliza óleo de canabidiol (CBD) sob prescrição médica para auxiliar no controle da ansiedade e na concentração. Ele ressaltou que o tratamento é acompanhado por um profissional de saúde, reacendendo o debate público sobre o uso terapêutico da substância no Brasil.

Ouvido pelo portal Portalleodias, o neurologista Dr. Yuri Macedo, do Hospital Badim e membro da Sociedade Brasileira de Neurologia e da Peripheral Nerve Society, explicou quais indicações do CBD têm suporte científico. Segundo o especialista, a principal indicação bem estabelecida na neurologia é o tratamento de epilepsias, em especial síndromes epilépticas raras da infância, como Dravet, Lennox-Gastaut e West.

Dr. Yuri afirmou que o canabidiol pode ser utilizado como terapia complementar em outros tipos de epilepsia, especialmente em casos refratários, nos quais as evidências para efeito anticonvulsivante são mais sólidas. Já para dor neuropática, as formulações que combinam CBD e THC vêm sendo estudadas, mas ainda faltam estudos em maior escala que sustentem sua adoção como primeira linha terapêutica.

Sobre doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer, o neurologista esclareceu que não há comprovação de melhora cognitiva ou reversão dos sintomas com o uso de derivados da cannabis. Em alguns pacientes pode ocorrer controle comportamental — redução de agressividade ou irritabilidade —, mas não há indicativo de recuperação da memória ou das capacidades perdidas.

As condições mais frequentemente mencionadas por quem procura produtos à base de cannabis são ansiedade, insônia e enxaqueca. Dr. Yuri destacou que, até o momento, não existe evidência científica robusta que permita recomendar o CBD como tratamento principal para esses transtornos. Ele citou exemplos de produtos comercializados para o sono, como combinações de cannabigerol com melatonina, que ainda não contam com suporte científico consolidado.

Conforme o médico, formulações à base de canabinoides podem ser testadas de forma alternativa durante a trajetória terapêutica, principalmente quando tratamentos convencionais falham e considerando a experiência do prescritor e a vontade do paciente. Para insônia, reforçou-se que medidas de higiene do sono e o tratamento de comorbidades, como ansiedade e depressão, permanecem como estratégias prioritárias.

Dr. Yuri Macedo

Quanto aos efeitos adversos, o neurologista observou que doses baixas costumam ser bem toleradas, com relatos de alterações gastrointestinais e elevação de enzimas hepáticas. Em doses mais altas, há risco de sonolência, alterações do sono e dor abdominal. Formulações com maior teor de THC podem, em alguns casos, precipitar sintomas psiquiátricos, inclusive episódios psicóticos.

Dr. Yuri também ressaltou a necessidade de retirada gradual sob supervisão médica, devido à presença de receptores cerebrais que interagem com os canabinoides. No Brasil, o canabidiol pode ser obtido mediante prescrição médica com receituário tipo B1; existem produtos em farmácias, opções de importação com cadastro na Anvisa (autorização válida por até dois anos, renovável) e associações autorizadas a produzir para grupos específicos de pacientes.

Para o especialista, a decisão de iniciar o tratamento deve ser individualizada e tomada em conjunto com um profissional que avalie os benefícios potenciais e gerencie expectativas. A declaração de João Lucas ampliou a visibilidade do tema, mas autoridades e especialistas reforçam que a escolha pelo uso do canabidiol precisa estar ancorada em avaliação médica criteriosa, sobretudo quando se trata de indicações sem evidência científica consolidada.

 

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