NATAL, DEUS NOS QUER FRATERNOS E JUSTOS

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Peixoto, 21 de Dezembro , 2020 - Atualizado em 21 de Dezembro, 2020

NATAL, DEUS NOS QUER FRATERNOS E JUSTOS

Quando o Natal se aproxima, surge uma atmosfera diferente, as pessoas se encarregam de demonstrar certa bondade, com troca de presentes, com cestas para os pobres, com uma preparação do espírito para reviver o mistério da encarnação de Deus, em Jesus de Nazaré. Em geral, todo o mês de dezembro se reveste desse clima, e, após o Natal, a esperança se reacende para o novo ano, com os auspícios de que seja sempre melhor do que o ano que se finda.

Mas, quando chega janeiro, com os desafios de sempre, o clima natalino parece ter-se escondido a sete chaves, para ressurgir, quando dezembro novamente chegar. Claro! A vida é feita de ciclos, ao menos para as diversas comemorações, momentos que marcam as inúmeras etapas da existência. Os cristãos católicos têm, em seu Ano Litúrgico, várias etapas, denominadas tempo: Advento, Natal, Tempo Comum, que se interrompe para dar espaço à Quaresma e à Páscoa, para depois retomar seu curso e se estender até a festa de Cristo-Rei do Universo. Cada um desses “tempos” tem seu dinamismo e espiritualidade próprios.

Ocorre que o Natal é uma espécie de porta que se abre, no Mistério da Encarnação, e só se fecha com o evento Ressurreição, quando o Vencedor da morte “retorna” à Trindade Santíssima. Por outras palavras, seria o acontecimento da descida de Deus, em Jesus, ao se tornar carne humana, no ventre de Maria, nascendo, crescendo, anunciando o Reino, formando um grupo dos “Seus”, morrendo, ressuscitando e ascendendo ao Pai, movimento de subida.

Pretende-se, com isso, afirmar que o Natal não pode ser apenas uma celebração social ou religiosa, num único dia. O Natal é muito maior do que se imagina: é a união entre Deus com o Seu Povo; descida de Deus grandioso, para engrandecer a humanidade pequenina, pusilânime, envolta na miserabilidade de errantes contumazes. Deus visita Seu Povo, para permanecer eternamente com ele, libertando-o dos ultrajes, das injustiças, das amarras do mal. É visita edificante, que dá uma lição belíssima de solidariedade. Com o Natal, não mais é preciso olhar para os céus para ver Deus. Ele está entre nós, Deus conosco, Emanuel! Assumiu nossa condição, fazendo-se até mesmo operário, na oficina do Carpinteiro.

Pena é que não aprendemos a lição de solidariedade que Deus nos deixou! Há, por isso, muitas manjedouras, símbolos da exclusão, nas carvoarias, nos laranjais, nos canaviais, nas lavanderias, na lida da roça, nas fábricas; manjedouras nas filas da saúde pública, na previdência social; manjedouras no abandono que as autoridades fazem, ao não atenderem aos anseios reais da população! E porquê? Porque a humanidade está acostumada à cultura do ter, da vantagem, do ludíbrio. São essas as razões palas quais o Natal perde o sentido autêntico, para se transformar em mera celebração de mercado, de consumo, quando a figura do Papai Noel aparece às crianças, para lhes dar presentes, iludindo-as e despertando-as ao consumismo. Não é mas a festa do ser solidário, mas do ter presentes, festa do acúmulo, da ostentação. Enquanto isso, Jesus continua nas mais variadas manjedouras, sinais da contradição e da exclusão que gera violência e dor.

Natal é fraternidade. Deus se irmana a cada um e a cada uma, para ser presença de amor, para luz e voz de quem já não enxerga e nem tem forças para falar. Jesus, que nasceu na Manjedoura, é o mesmo que doou sua vida, no madeiro da Cruz, para a redenção humana. A Ressurreição é a grande resposta à exclusão da Manjedoura. Deus sempre pagou o mal com o bem, resgatando a vida de sua gente. A fraternidade exigida pelo Mestre de Nazaré é a vida partilhada, o perdão oferecido e recebido, o recomeço da humanidade, sem divisões e exclusões, sem privilégios e sem usurpações.

Que este Natal, tão marcado pela imposição da Covid19, pelo descaso de tantas autoridades em relação à saúde do povo, seja momento oportuno para revisar nossa caminhada e ocasião para abraçarmos o congraçamento e a construção da paz e da justiça social. Vivamos mais a fraternidade e menos divisões.

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