O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP‑M), referência para reajuste de aluguéis, registrou variação de 0,52% em março, afetado principalmente por aumentos em produtos agropecuários e derivados de petróleo, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Com o resultado divulgado nesta segunda-feira (30), o indicador acumula deflação de 1,83% em 12 meses, ou seja, apresenta queda média no período. Os números foram apurados pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV.
Nos últimos 12 meses, metade das leituras mensais do IGP‑M foram positivas e metade negativas; em março de 2025 o índice havia registrado variação de -0,34%.
Atacado
O IGP‑M é composto por três subíndices, sendo o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) o de maior peso, correspondendo a 60% do indicador total. Em março, o IPA avançou 0,61%.
O economista do Ibre, Matheus Dias, aponta que a alta no IPA foi puxada pelo setor agropecuário, com destaque para bovinos, ovos, leite, feijão e milho. Entre esses, os ovos subiram 16,95% no mês, depois de alta de 14,16% em fevereiro; o feijão teve elevação de 20,91% em março, seguindo aumento de 13,77% em fevereiro.
Além das pressões domésticas, o cenário externo também influenciou o IGP‑M. Segundo a FGV, o agravamento do quadro geopolítico no Oriente Médio já se reflete em aumentos nos preços de derivados de petróleo e tende a repercutir em outros segmentos.
O subgrupo produtos derivados de petróleo registrou alta de 1,16% em março, revertendo a deflação de 4,63% observada em fevereiro, o que sugere mudança de direção na recente trajetória de queda. Em 12 meses, esse segmento acumula patamar baixo, com variação de -14,13%.
A FGV lembra que a guerra no Oriente Médio foi desencadeada em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, afetando rotas e a oferta em uma região produtora de petróleo, como o Estreito de Ormuz.

Mais componentes
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP‑M, subiu 0,30% em março. Na cesta de consumo, a gasolina foi o item que mais pressionou, com alta de 1,12%.
O terceiro componente, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), registrou aumento de 0,36% no mês.
Por que é chamado de inflação do aluguel
O IGP‑M é frequentemente usado como referência para reajuste anual de contratos de aluguel e também para correção de algumas tarifas públicas e serviços. Contudo, a existência de cláusulas contratuais que preveem reajuste apenas se o índice for positivo pode impedir reduções nos aluguéis mesmo quando o acumulado em 12 meses é negativo.
A coleta de preços para apuração do IGP‑M foi realizada nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, no período de 21 de fevereiro a 20 de março.
Com informações de Agência Brasil
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