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Aracaju, Quarta-feira, 16 de setembro de 2026
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Política

PF revela que grupo de Vorcaro acessou investigações sigilosas

Relatório da PF indicou que grupo ligado a Daniel Vorcaro teve acesso a sistemas sigilosos do MPF, da PF e até da Interpol, com pagamentos e buscas privadas.

11/09/2026 · 00h00 · Atualizado às 12h51
PF revela que grupo de Vorcaro acessou investigações sigilosas

Relatório da PF enviado ao ministro André Mendonça afirma que o grupo teve acesso a investigações do MPF, ao sistema da Polícia Federal e a dados da Interpol. O documento integra a Operação Compliance Zero e cita 'A Turma'.

Um relatório da Polícia Federal (PF), datado de 27 de fevereiro de 2026 e enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, indicou que um grupo ligado ao então banqueiro Daniel Vorcaro tinha acesso a investigações sigilosas no Ministério Público Federal (MPF), em sistema exclusivo da Polícia Federal e até em organismos internacionais como a Interpol.

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O documento, parte das investigações da Operação Compliance Zero sobre fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e Vorcaro, descreve a existência de uma estrutura paralela chamada de “A Turma”, mantida financeiramente pelo banqueiro com pagamentos mensais apontados pelos investigadores no valor de R$ 1 milhão.

Segundo a PF, um dos integrantes desse grupo era identificado como Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, referido no relatório como “Felipe Mourão” e “Sicário”. O material de 164 páginas reúne conversas de aplicativos, prints e registros que, conforme os investigadores, mostram acesso irregular a procedimentos sob sigilo no MPF, na Polícia Federal, na Polícia Civil e no Banco Central.

“O conteúdo indica, de forma clara, o uso indevido de informações protegidas por sigilo, que eram obtidas e empregadas para a proteção da organização criminosa”

A PF registrou que o acesso clandestino ocorreu por meio da “utilização de logins funcionais de terceiros” e incluiu extração indevida de documentos e consultas não autorizadas em sistemas internos das instituições. O relatório relata, por exemplo, que em 15 de fevereiro de 2024 Vorcaro teria reencaminhado a Sicário uma mensagem sobre um inquérito policial na PF.

Quarenta minutos depois, uma resposta apresentada no documento traz um áudio do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, no qual ele afirma que já havia feito contato com a chamada “Tropa” e que dariam atenção especial ao pedido de Vorcaro. A PF apontou no relatório que Marilson teria tido acesso ilícito a sistemas do MPF.

“Já havia feito contato com a ‘Tropa’ e que dariam uma atenção especial ao pedido de Daniel Vorcaro”

Marilson foi preso no dia 4 de março, na 3ª fase da operação, em Belo Horizonte. A investigação apontou que o acesso indevido teve origem na Delegacia da Polícia em Juiz de Fora (MG), após auditoria interna realizada pela PF.

Os investigadores descrevem que Sicário enviou comprovantes de consultas nos sistemas do MPF relacionadas ao CPF de Vorcaro: foram identificados 15 procedimentos, sendo 11 sigilosos. As buscas teriam sido feitas também com o termo “BRB AND MASTER”, para localizar procedimentos que mencionassem tanto o Banco de Brasília (BRB) quanto o Master.

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Em mensagens que constam no relatório, Vorcaro teria solicitado obtenção ampla de informações. Em resposta, Sicário teria dito que iria “mandar puxar geral”. A PF indicou tentativa de ocultação da identidade do servidor que realizou consultas, por meio de edição dos registros.

“Quero tudo. Atenção total”

“Então vou mandar puxar geral”

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O relatório também aponta que as pesquisas clandestinas passaram a incluir bases da Polícia Federal, com evidências de acesso ao ePol, sistema oficial de polícia judiciária de uso exclusivo de policiais federais. A PF destacou, ainda, indícios de intrusão em organismos internacionais: prints e mensagens mencionariam o FBI e a Interpol, com frases registradas no material como:

“O que está em branco foi para ocultar o nome de quem fez a pesquisa”

“Estamos aguardando o relatório principal do FBI”

“A Interpol está limpa”

Os quatro delegados federais que assinam o relatório afirmaram que “Daniel Vorcaro estava se utilizando de acessos ilícitos para obter informações sigilosas sobre a presente investigação” e detalharam a sequência de pesquisas clandestinas no MPF e na Polícia Federal, conforme consta no documento encaminhado ao ministro relator.

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Relatório da PF enviado ao ministro André Mendonça afirma que o grupo teve acesso a investigações do MPF, ao sistema da Polícia Federal e a dados da Interpol. O documento integra a Operação Compliance Zero e cita 'A Turma'.

Um relatório da Polícia Federal (PF), datado de 27 de fevereiro de 2026 e enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, indicou que um grupo ligado ao então banqueiro Daniel Vorcaro tinha acesso a investigações sigilosas no Ministério Público Federal (MPF), em sistema exclusivo da Polícia Federal e até em organismos internacionais como a Interpol.

O documento, parte das investigações da Operação Compliance Zero sobre fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e Vorcaro, descreve a existência de uma estrutura paralela chamada de “A Turma”, mantida financeiramente pelo banqueiro com pagamentos mensais apontados pelos investigadores no valor de R$ 1 milhão.

Segundo a PF, um dos integrantes desse grupo era identificado como Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, referido no relatório como “Felipe Mourão” e “Sicário”. O material de 164 páginas reúne conversas de aplicativos, prints e registros que, conforme os investigadores, mostram acesso irregular a procedimentos sob sigilo no MPF, na Polícia Federal, na Polícia Civil e no Banco Central.

“O conteúdo indica, de forma clara, o uso indevido de informações protegidas por sigilo, que eram obtidas e empregadas para a proteção da organização criminosa”

A PF registrou que o acesso clandestino ocorreu por meio da “utilização de logins funcionais de terceiros” e incluiu extração indevida de documentos e consultas não autorizadas em sistemas internos das instituições. O relatório relata, por exemplo, que em 15 de fevereiro de 2024 Vorcaro teria reencaminhado a Sicário uma mensagem sobre um inquérito policial na PF.

Quarenta minutos depois, uma resposta apresentada no documento traz um áudio do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, no qual ele afirma que já havia feito contato com a chamada “Tropa” e que dariam atenção especial ao pedido de Vorcaro. A PF apontou no relatório que Marilson teria tido acesso ilícito a sistemas do MPF.

“Já havia feito contato com a ‘Tropa’ e que dariam uma atenção especial ao pedido de Daniel Vorcaro”

Marilson foi preso no dia 4 de março, na 3ª fase da operação, em Belo Horizonte. A investigação apontou que o acesso indevido teve origem na Delegacia da Polícia em Juiz de Fora (MG), após auditoria interna realizada pela PF.

Os investigadores descrevem que Sicário enviou comprovantes de consultas nos sistemas do MPF relacionadas ao CPF de Vorcaro: foram identificados 15 procedimentos, sendo 11 sigilosos. As buscas teriam sido feitas também com o termo “BRB AND MASTER”, para localizar procedimentos que mencionassem tanto o Banco de Brasília (BRB) quanto o Master.

Em mensagens que constam no relatório, Vorcaro teria solicitado obtenção ampla de informações. Em resposta, Sicário teria dito que iria “mandar puxar geral”. A PF indicou tentativa de ocultação da identidade do servidor que realizou consultas, por meio de edição dos registros.

“Quero tudo. Atenção total”

“Então vou mandar puxar geral”

O relatório também aponta que as pesquisas clandestinas passaram a incluir bases da Polícia Federal, com evidências de acesso ao ePol, sistema oficial de polícia judiciária de uso exclusivo de policiais federais. A PF destacou, ainda, indícios de intrusão em organismos internacionais: prints e mensagens mencionariam o FBI e a Interpol, com frases registradas no material como:

“O que está em branco foi para ocultar o nome de quem fez a pesquisa”

“Estamos aguardando o relatório principal do FBI”

“A Interpol está limpa”

Os quatro delegados federais que assinam o relatório afirmaram que “Daniel Vorcaro estava se utilizando de acessos ilícitos para obter informações sigilosas sobre a presente investigação” e detalharam a sequência de pesquisas clandestinas no MPF e na Polícia Federal, conforme consta no documento encaminhado ao ministro relator.

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