Uma perícia privada solicitada pela defesa da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, revelou que os contratos do projeto previam um retorno financeiro de R$ 1,20 para cada R$ 1 investido pelos financiadores. Assim, os documentos indicavam uma remuneração de 20% para aqueles que realizassem aportes econômicos na produção.
A cinebiografia retrata a vida pessoal e política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e gerou polêmicas após a divulgação de um áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente e pré-candidato ao Planalto, no qual ele solicitava apoio econômico para a realização do filme.
A perícia também confirmou que a produção do filme teve um custo total de R$ 75 milhões e não recebeu recursos públicos para sua realização. O documento foi apresentado pela defesa da produtora durante o processo da Operação Wi-Fi Livre, que investiga supostas fraudes em licitação da Prefeitura de São Paulo, envolvendo o ICB (Instituto Conhecer Brasil) no valor de R$ 108 milhões.
A Go Up Entertainment é de propriedade de Karina Ferreira da Gama. Embora o inquérito da Operação Wi-Fi Livre não investigue diretamente o filme Dark Horse, o envolvimento da produtora gerou questionamentos. Várias tentativas de contato com a assessoria de Karina Ferreira para esclarecer a perspectiva de lucro do filme e as investigações relacionadas à operação não tiveram retorno até o momento.
Os documentos analisados pela perícia afirmam que os recursos utilizados pela Go Up foram movimentados de forma formal e rastreável. A análise não encontrou evidências de uso de recursos públicos, incentivos fiscais ou verbas da Lei Rouanet na produção do filme.
A perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto têm origem privada, comprovada por contratos de investimento e extratos bancários.
O contrato analisado foi firmado em 24 de fevereiro de 2025 entre a produtora e o fundo Havengate, que investiu US$ 13 milhões, equivalente a R$ 75 milhões, no filme. O Havengate é suspeito de ter sido usado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar a produção.
A Operação Wi-Fi Livre foi deflagrada em 1º de junho pela Polícia Civil de São Paulo, visando investigar a possível relação entre a Prefeitura e o ICB, de Karina Ferreira da Gama. A investigação apura suspeitas de fraudes em uma licitação da prefeitura, que totaliza R$ 108 milhões, além de eventuais irregularidades na implementação de 5.000 pontos de acesso à rede pública de Wi-Fi em comunidades do município.
Em resposta a perguntas sobre a operação, a Prefeitura de São Paulo afirmou que está colaborando com as investigações e que já prestou informações às autoridades. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) declarou que os detalhes da investigação não refletem a realidade, negando que o contrato tivesse sido firmado e pago para 5.000 pontos de Wi-Fi, afirmando que o número real foi de 3.200.
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