A universidade brasileira enfrenta um paradoxo: é uma das maiores produtoras de artigos científicos do mundo, mas ainda converte pouco dessa produção em patentes, inovação e novos negócios. Para o reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Gilmar Pereira da Silva, essa situação só mudará com uma maior conexão entre a pesquisa e o setor produtivo, além da ciência aplicada.
“O Brasil já construiu uma ciência de base sólida. Agora, precisamos transformar esse conhecimento em soluções para a vida das pessoas”, afirmou o reitor em entrevista.
Gilmar, de 64 anos, é graduado em Pedagogia pela UFPA e possui mestrado e doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Com mais de 30 anos de experiência como professor universitário, ele assumiu a reitoria em outubro de 2024 e desde então tem se dedicado à internacionalização da universidade e à produção de inovação.
Ao assumir a reitoria, Gilmar ampliou a estrutura e o status dos setores de inovação, resultando em conquistas que aumentaram as fontes de financiamento e iniciaram diálogos para integrar o setor produtivo ao ambiente acadêmico.
“A teoria é importante para a ciência, mas precisa se transformar em produtos, empresas, empregos e desenvolvimento”, destacou.
Durante a entrevista, o reitor comentou sobre a premiação Anísio Teixeira, um dos principais reconhecimentos da educação brasileira, que recebeu recentemente. Ele atribuiu a conquista a uma trajetória coletiva e ao compromisso de formar indivíduos e contribuir para o desenvolvimento do país.
A UFPA, que é a terceira maior universidade do Brasil, conta com 170 programas de pós-graduação, destacando-se em áreas como Psicologia e Geociências. Gilmar ressaltou que, apesar da qualidade do trabalho desenvolvido, a região Norte ainda enfrenta desafios de visibilidade.
A realização da COP30 em Belém foi um marco que impulsionou a internacionalização da universidade, permitindo a projeção dos programas relacionados à floresta e aos rios. A UFPA foi a única universidade do mundo a estar na Zona Azul da COP, um espaço restrito do evento.
O reitor também falou sobre as mudanças promovidas na universidade, como a criação da Pró-Reitoria de Relações Internacionais e a Superintendência de Inovação. O objetivo é conectar a Amazônia ao mundo e vice-versa. Com um novo edital da CAPES, a universidade receberá R$ 60 milhões nos próximos cinco anos, um aumento significativo em relação ao orçamento anterior.
Gilmar acredita que a inovação deve ser um foco central, especialmente em um país que, apesar de sua alta produção científica, ainda gera poucas patentes. O reitor enfatizou a importância de unir o poder público, universidades e o setor produtivo para transformar conhecimento em soluções práticas.
Além disso, ele comentou sobre o impacto da inteligência artificial nas universidades, comparando essa transformação à revolução trazida pela internet, e como essa tecnologia pode reduzir custos na produção de conhecimento.
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