O senador Rogério Carvalho (PT-SE) classificou como “premiação a criminoso continuado” o movimento de deputados aliados que pretendem apresentar um pedido de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi dada em entrevista por telefone à Rádio Fan FM na manhã desta segunda-feira, 24.
Prisão preventiva
Carvalho afirmou que a prisão preventiva de Bolsonaro foi decretada depois de violações “claras” das medidas cautelares impostas pela Justiça. Segundo o parlamentar, o ex-presidente tentou romper a tornozeleira eletrônica justamente enquanto ocorria um ato religioso em frente à sua casa, o que, para o senador, indicaria risco de fuga para alguma embaixada.
“A Justiça agiu corretamente dentro do limite da lei. Qualquer pessoa que tenta romper uma tornozeleira eletrônica sofre as consequências; não é porque ele foi presidente que não deve cumprir a lei”, disse.
O petista acrescentou que a audiência de custódia manteve a necessidade da prisão após a exposição dos fatos apresentados pelas autoridades.
Reação à proposta de anistia
Questionado sobre a articulação da oposição, o senador afirmou ser “impressionante” ver a base bolsonarista “negar a realidade” diante das evidências contra Bolsonaro. Para ele, o tema não deve prosperar no Congresso. “Até parte expressiva do Centrão recuou depois do episódio da tornozeleira”, observou.
Carvalho também argumentou que o ex-presidente não pode ser tratado como vítima: “Ele foi responsável por milhares de mortes durante a pandemia e orquestrou uma tentativa clara de golpe de Estado”.
Clima no Congresso
Sobre os impactos da prisão no Legislativo, o senador previu que a oposição deve tentar obstruir votações, mas sem sucesso para travar pautas relevantes. “Não há matérias com quórum qualificado que permitam à oposição paralisar a Casa; podem atrasar, mas não impedir”, afirmou.
Ele descreveu como “equilibrada” a reação do presidente Lula à prisão de Bolsonaro, por considerar que o chefe do Executivo defendeu a institucionalidade e o cumprimento da lei.
Reflexos eleitorais
Carvalho descartou qualquer “comoção bolsonarista” capaz de alterar o cenário eleitoral de 2026. Segundo ele, as investigações sobre 8 de janeiro e a tentativa de golpe inviabilizam um movimento de vitimização em torno do ex-presidente. “Eles montaram uma organização criminosa para lesar o país e tentar derrubar a democracia”, pontuou.
“Não haverá comoção, mas haverá cumprimento de pena”, concluiu.
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