O senador Alessandro Vieira (MDB/SE) criticou nesta quinta-feira (23) as declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, classificando-as como uma “tentativa de ameaça e intimidação” depois da entrega do relatório da CPI do Crime Organizado, da qual foi relator.
Vieira afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que Mendes intensificou ataques pessoais a partir do momento em que o senador indicou o indiciamento de três ministros do STF, entre eles o próprio Gilmar Mendes. Segundo o parlamentar, o ministro passou a promover investidas públicas destinadas a desqualificar o relatório e a sua atuação.
O senador disse que, após sugerir o indiciamento de Mendes e de outros dois ministros, tem sido alvo de ações formais e de declarações que, em sua avaliação, buscam constrangê-lo. “Ele acionou a Procuradoria-Geral da República para que eu seja processado por um suposto crime de abuso de autoridade que ele sabe perfeitamente que não aconteceu”, disse Vieira.
Alessandro também reagiu a insinuações feitas por Mendes em entrevistas recentes. De acordo com o senador, o ministro levantou suspeitas — sem apresentar provas — de que ele teria recebido recursos do crime organizado, mantido ligação com milícias e, em uma entrevista, sugerido que o relatório poderia ter sido elaborado sob efeito de alucinógenos. Para Vieira, essas afirmações revelam temor por parte do ministro em relação a investigações.
No pronunciamento, o relator da CPI apontou ainda que Gilmar Mendes não teria respondido a questionamentos objetivos trazidos pelo relatório, como as viagens de jatinho, contratos milionários entre parentes de ministros e investigados e a decisão de assumir a relatoria de um suposto habeas corpus em favor de uma empresa — ponto que, segundo Vieira, contraria princípios jurídicos elementares.
O senador manifestou solidariedade ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema, citado por Mendes em entrevistas, e criticou o que chamou de ataques pessoais em substituição a respostas concretas aos fatos levantados pelo relatório.

Alessandro Vieira defendeu que ninguém esteja acima de críticas ou de investigação, afirmando que a reação de autoridades citadas na CPI reforça a necessidade de aprofundar debates sobre responsabilização institucional e sobre o funcionamento da democracia brasileira. “Numa democracia todo mundo pode ser questionado, todo mundo pode ser criticado. Aqueles que cometem excessos podem ser responsabilizados”, declarou.
Ao concluir o pronunciamento, o senador afirmou que setores do Judiciário se comportam como intocáveis, mas destacou a confiança no voto e na opinião pública: “Os intocáveis lá da Suprema Corte imaginam que podem tudo. As urnas e o povo brasileiro vão provar que não. Quem pode é o povo.”
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