O setor de biocombustíveis entregará nesta segunda-feira (13.jul.2026) uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitando a elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil de 15% (B15) para 17% (B17). O documento será apresentado ao presidente e ao ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) durante uma visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo, onde estão sendo realizados testes para avaliar o aumento da mistura de biodiesel, que atualmente varia de B16 a B25.
Esses estudos estão previstos na Lei do Combustível do Futuro, que estabelece um avanço gradual na mistura de etanol e biodiesel nos combustíveis fósseis, desde que haja comprovação de viabilidade técnica. A agenda se dá na véspera da expectativa de aprovação pelo Conselho Nacional de Política Energética do aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% (E30) para 32% (E32). Enquanto os testes para o etanol já foram concluídos, os do biodiesel ainda estão em andamento e devem ser finalizados apenas no final do ano, adiando a deliberação do governo sobre o B16 para 2027.
Na carta, as associações do setor defendem que o governo avance do B15 para o B17 de forma direta, argumentando que os resultados dos testes realizados até o momento indicam que o país possui condições técnicas para esse aumento de dois pontos percentuais na mistura de biodiesel ao diesel. O documento também justifica a necessidade do avanço imediato como uma estratégia para diminuir a dependência de importações de combustíveis, especialmente em períodos de instabilidade internacional, como a guerra no Irã, alinhando-se ao discurso de soberania energética defendido por Lula e Silveira.
“Do ponto de vista econômico, o aumento da participação dos biocombustíveis reduz a exposição do Brasil às oscilações internacionais do mercado de petróleo, aumenta a segurança do abastecimento e cria um importante mecanismo de amortecimento para a volatilidade dos preços dos combustíveis”, diz a carta.
A carta é assinada por diversas entidades, incluindo a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), a Frente Parlamentar do Biodiesel no Congresso Nacional (FPBio) e a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio).
Nos últimos meses, houve um aumento na pressão de congressistas, associações, empresas e executivos do setor de biocombustíveis pelo avanço imediato da mistura do etanol na gasolina e do biodiesel no diesel, impulsionada pelos impactos da guerra no Oriente Médio no mercado nacional. O avanço na mistura beneficiará diretamente o setor, que ampliará sua participação no mercado nacional de combustíveis com a demanda criada pelo aumento do teor obrigatório. Além disso, isso também interessa a uma parte do agronegócio, dado que a maior parte dos biocombustíveis produzidos no Brasil tem como matéria-prima a cana-de-açúcar, o milho, o óleo de soja e outros produtos agrícolas.
“O biodiesel impulsiona o esmagamento da soja, amplia a produção de óleo vegetal, aumenta a disponibilidade de farelo e fortalece toda a cadeia brasileira de proteínas animais. Mais farelo no mercado significa ração mais barata e, consequentemente, carne mais barata”, afirma a carta.
É consenso entre os representantes do setor que o Brasil possui todas as condições para avançar com a mistura de biodiesel, incluindo capacidade produtiva instalada, disponibilidade de matéria-prima, uma indústria consolidada, tecnologia nacional e segurança regulatória com validação técnica em andamento.
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