A varejista chinesa de moda rápida Shein deu um passo significativo em direção à abertura de capital após a aprovação do pedido de listagem em Hong Kong pela Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China. Esta decisão surge em um momento em que a empresa busca se fortalecer diante da crescente concorrência e da pressão regulatória em mercados ocidentais.
Na última sexta-feira (10/07/2026), a Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China anunciou que aceitou o pedido de listagem no exterior apresentado pela Shein Global Holdings através de sua entidade operacional na China. A empresa planeja emitir até 341,6 milhões de ações ordinárias e listar suas ações na Bolsa de Valores de Hong Kong.
A aprovação marca o primeiro progresso concreto em direção a um IPO, após os planos anteriores de listagem nos Estados Unidos em 2023 e em Londres em 2025 terem sido suspensos. Além disso, a decisão coincide com um momento em que Pequim intensifica o apoio ao setor varejista. Um dia antes, o Ministério do Comércio da China, juntamente com outras oito agências governamentais, divulgou diretrizes que visam a modernização do varejo até 2030 e incentivam empresas do setor a acessar os mercados de capitais através de listagens e outros meios de financiamento.
A Shein foi fundada em 2009 pelo empreendedor Chris Xu Yangtian e entrou no mercado norte-americano em 2012, oferecendo roupas femininas de baixo custo. A empresa construiu um império global de fast-fashion ao adotar um modelo de negócios que combina design orientado por dados com uma rede de produção flexível na China. O modelo de “pequenos lotes e reposição rápida” permite à Shein testar produtos com pedidos iniciais de apenas algumas centenas de unidades e aumentar a produção de itens de sucesso com base em dados de vendas em tempo real.
Essa estratégia de negócios ajudou a Shein a expandir suas operações para mais de 160 países e regiões. De acordo com a GlobalData, a empresa superou marcas como Zara, H&M e Uniqlo em 2024, tornando-se a terceira maior varejista de moda do mundo em vendas, atrás apenas da Nike e da Adidas.
O volume bruto de mercadorias da Shein cresceu 22,7% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 67,5 bilhões em 2025, enquanto o número de usuários ativos mensais aumentou em 11%, totalizando 98 milhões, conforme um relatório da Nomura Securities. A empresa registrou US$ 34,5 bilhões em receita em 2025, com margens brutas variando entre 50% e 54%, além de uma margem de lucro líquido de 7,8%.
No entanto, a avaliação da empresa sofreu uma queda significativa. Em abril de 2022, a Shein havia captado recursos com uma avaliação superior a US$ 100 bilhões, que caiu para cerca de US$ 64 bilhões no início de 2023, à medida que os investidores reavaliaram as perspectivas para varejistas online em um contexto de aumento da concorrência e desaceleração do crescimento.
Uma fonte familiarizada com o tema indicou que a avaliação mais baixa pode ter sido uma decisão estratégica, uma vez que a Shein buscou ajustar sua avaliação devido à queda nos preços das ações de varejistas de moda similares listados na bolsa.
A rápida expansão da Shein também enfrentou desafios devido à chegada da Temu, uma plataforma de compras internacionais lançada pela PDD Holdings em 2022. Em resposta à nova concorrente, a Shein diversificou suas operações além da moda e lançou um modelo de marketplace de terceiros em 2023.
Paralelamente, a pressão regulatória aumentou. Nos Estados Unidos, tanto a Shein quanto a Temu enfrentaram críticas relacionadas à isenção tarifária, privacidade de dados, proteção da propriedade intelectual e produtos falsificados. Em 2025, Washington encerrou a isenção fiscal para muitas remessas chinesas de baixo valor, o que elevou os custos para vendedores internacionais.
Na Europa, os reguladores franceses impuseram uma multa de 40 milhões de euros (cerca de US$ 47,1 milhões) à Shein em julho de 2025 devido a alegações enganosas sobre descontos e declarações ambientais. Em junho deste ano, a agência de proteção ao consumidor da França aplicou outra multa de 22,5 milhões de euros, relacionada a problemas com devoluções, informações sobre produtos e confirmações de pedidos. O Senado francês também aprovou uma legislação que visa restringir a produção têxtil em massa, afetando empresas como Shein e Temu.
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