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Economia

Terras raras, minerais estratégicos e críticos: entenda as diferenças

Terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos têm papel crescente na economia global por seu uso em tecnologias ligadas à transição...

26/04/2026 · 17h46 · Atualizado às 19h19
Terras raras, minerais estratégicos e críticos: entenda as diferenças

Terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos têm papel crescente na economia global por seu uso em tecnologias ligadas à transição energética, defesa e eletrônica. Apesar de frequentemente serem tratados como sinônimos, os três termos têm definições distintas que impactam decisões industriais e geopolíticas.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) define Elementos Terras Raras (ETR) como um conjunto de 17 elementos químicos: 15 lantanídeos — entre eles lantânio, cério, neodímio e disprósio — além de escândio e ítrio. Embora o nome sugira escassez, esses elementos não são necessariamente raros na natureza; o problema é que costumam aparecer de forma dispersa, o que encarece e complica a viabilidade econômica da extração.

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Minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais ao desenvolvimento econômico dos países, por sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia, defesa e na transição energética. Já minerais críticos são definidos pelo risco no abastecimento, que pode decorrer de concentração geográfica da produção, dependência de fornecedores externos, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupções na cadeia e dificuldade de substituição.

A classificação de um mineral como estratégico ou crítico varia conforme o país e pode mudar ao longo do tempo, à medida que surgem novas tecnologias, descobertas geológicas, alterações geopolíticas e variações na demanda. Exemplos citados com frequência incluem lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio. Terras raras podem ser consideradas críticas ou estratégicas dependendo do contexto — toda terra rara pode ser estratégica, mas nem todo mineral estratégico é uma terra rara.

Situação no Brasil

Segundo o SGB, o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, o equivalente a cerca de 23% das reservas globais, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). As maiores concentrações encontram-se em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.

O país também lidera reservas em outros minerais: responde por 94% das reservas mundiais de nióbio, com 16 milhões de toneladas; é segundo em reservas de grafita, com 74 milhões de toneladas (26% do total global); e ocupa a terceira posição nas reservas de níquel, com 16 milhões de toneladas (12%).

O Ministério de Minas e Energia publicou a Resolução nº 2, de 18 de junho de 2021, que lista minerais estratégicos para o país, organizados em três grupos:

Precisam ser importados: enxofre, minério de fosfato, minério de potássio e minério de molibdênio.

Usados em produtos e processos de alta tecnologia: minério de cobalto, minério de cobre, minério de estanho, minério de grafita, minérios do grupo da platina, minério de lítio, minério de nióbio, minério de níquel, minério de silício, minério de tálio, minério de terras raras, minério de titânio, minério de tungstênio, minério de urânio e minério de vanádio.

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Minerais com vantagem comparativa e geração de superávit na balança comercial: minério de alumínio, minério de cobre, minério de ferro, minério de grafita, minério de ouro, minério de manganês, minério de nióbio e minério de urânio.

Disputa global e desafios internos

No mercado global, a China domina as etapas de refino e produção de terras raras, o que levou Estados Unidos e União Europeia a buscar diversificação de fornecedores. Nesse contexto, o Brasil aparece como um ator relevante em termos de reservas, mas enfrenta desafios para desenvolver as etapas de beneficiamento e refino dentro do território nacional.

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Especialistas afirmam que, sem soluções para essas etapas da cadeia produtiva, o país tende a continuar exportando matérias-primas e importando produtos de maior valor agregado. O professor Luiz Jardim Wanderley, da Universidade Federal Fluminense (UFF), observa que o padrão histórico de dependência em relação à exportação de commodities se mantém, com o Brasil vendendo grande volume de minerais e consumindo pouca parcela no mercado interno.

Além dos aspectos econômicos e geopolíticos, há impactos socioambientais associados à extração desses recursos. O geógrafo consultado ressalta que a mineração provoca alterações significativas nos territórios onde ocorre, como comprometimento de recursos hídricos e efeitos socioeconômicos adversos nos municípios produtores, incluindo aumento de pobreza e desigualdade. Ele afirma que, mesmo adotando práticas menos degradantes, a extração continuará exigindo transformações expressivas da paisagem, como escavação de grandes volumes e interferência em cursos d’água, o que impõe a necessidade de avaliação cuidadosa dos custos socioambientais.

As discussões sobre como equilibrar exploração, industrialização interna e mitigação de impactos ambientais seguem em pauta entre autoridades, empresas e especialistas.

Com informações de Agência Brasil

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Terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos têm papel crescente na economia global por seu uso em tecnologias ligadas à transição energética, defesa e eletrônica. Apesar de frequentemente serem tratados como sinônimos, os três termos têm definições distintas que impactam decisões industriais e geopolíticas.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) define Elementos Terras Raras (ETR) como um conjunto de 17 elementos químicos: 15 lantanídeos — entre eles lantânio, cério, neodímio e disprósio — além de escândio e ítrio. Embora o nome sugira escassez, esses elementos não são necessariamente raros na natureza; o problema é que costumam aparecer de forma dispersa, o que encarece e complica a viabilidade econômica da extração.

Minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais ao desenvolvimento econômico dos países, por sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia, defesa e na transição energética. Já minerais críticos são definidos pelo risco no abastecimento, que pode decorrer de concentração geográfica da produção, dependência de fornecedores externos, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupções na cadeia e dificuldade de substituição.

A classificação de um mineral como estratégico ou crítico varia conforme o país e pode mudar ao longo do tempo, à medida que surgem novas tecnologias, descobertas geológicas, alterações geopolíticas e variações na demanda. Exemplos citados com frequência incluem lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio. Terras raras podem ser consideradas críticas ou estratégicas dependendo do contexto — toda terra rara pode ser estratégica, mas nem todo mineral estratégico é uma terra rara.

Situação no Brasil

Segundo o SGB, o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, o equivalente a cerca de 23% das reservas globais, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). As maiores concentrações encontram-se em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.

O país também lidera reservas em outros minerais: responde por 94% das reservas mundiais de nióbio, com 16 milhões de toneladas; é segundo em reservas de grafita, com 74 milhões de toneladas (26% do total global); e ocupa a terceira posição nas reservas de níquel, com 16 milhões de toneladas (12%).

O Ministério de Minas e Energia publicou a Resolução nº 2, de 18 de junho de 2021, que lista minerais estratégicos para o país, organizados em três grupos:

Precisam ser importados: enxofre, minério de fosfato, minério de potássio e minério de molibdênio.

Usados em produtos e processos de alta tecnologia: minério de cobalto, minério de cobre, minério de estanho, minério de grafita, minérios do grupo da platina, minério de lítio, minério de nióbio, minério de níquel, minério de silício, minério de tálio, minério de terras raras, minério de titânio, minério de tungstênio, minério de urânio e minério de vanádio.

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Disputa global e desafios internos

No mercado global, a China domina as etapas de refino e produção de terras raras, o que levou Estados Unidos e União Europeia a buscar diversificação de fornecedores. Nesse contexto, o Brasil aparece como um ator relevante em termos de reservas, mas enfrenta desafios para desenvolver as etapas de beneficiamento e refino dentro do território nacional.

Especialistas afirmam que, sem soluções para essas etapas da cadeia produtiva, o país tende a continuar exportando matérias-primas e importando produtos de maior valor agregado. O professor Luiz Jardim Wanderley, da Universidade Federal Fluminense (UFF), observa que o padrão histórico de dependência em relação à exportação de commodities se mantém, com o Brasil vendendo grande volume de minerais e consumindo pouca parcela no mercado interno.

Além dos aspectos econômicos e geopolíticos, há impactos socioambientais associados à extração desses recursos. O geógrafo consultado ressalta que a mineração provoca alterações significativas nos territórios onde ocorre, como comprometimento de recursos hídricos e efeitos socioeconômicos adversos nos municípios produtores, incluindo aumento de pobreza e desigualdade. Ele afirma que, mesmo adotando práticas menos degradantes, a extração continuará exigindo transformações expressivas da paisagem, como escavação de grandes volumes e interferência em cursos d’água, o que impõe a necessidade de avaliação cuidadosa dos custos socioambientais.

As discussões sobre como equilibrar exploração, industrialização interna e mitigação de impactos ambientais seguem em pauta entre autoridades, empresas e especialistas.

Com informações de Agência Brasil

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