O Banco de Brasília (BRB), controlado pelo Governo do Distrito Federal, anunciou a constituição de um fundo destinado à transferência dos ativos que recebeu do Banco Master. A decisão foi comunicada a acionistas, clientes e ao mercado na última segunda-feira (20), após aprovada pelo Conselho de Administração da instituição.
A operação tem como objetivo viabilizar a venda e a gestão desses ativos, decorrentes da liquidação do Banco Master, que era controlado por Daniel Vorcaro — atualmente preso sob acusações relacionadas a fraudes e crimes financeiros. O BRB informou que avançou na estruturação do negócio por meio de um memorando de entendimento firmado com a gestora Quadra Capital, que definiu valor de referência de R$ 15 bilhões para a transação.
Quadra Capital
A Quadra Capital, gestora especializada em ativos de baixa liquidez e com atuação relevante em projetos de infraestrutura e logística, será parceira na estruturação do fundo. A gestora tem histórico recente de investimentos em concessões portuárias nos estados do Espírito Santo e do Paraná.
Segundo os termos preliminares, a operação contemplará uma parcela à vista entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões. A quantia restante, estimada entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, deverá ser efetuada por meio de cotas subordinadas do fundo que será criado para gerir e monetizar os ativos transferidos.
A efetivação do negócio dependerá do cumprimento das condições estipuladas no memorando de entendimento entre as partes, conforme destacou o BRB.
Executivo preso
Na semana anterior ao anúncio, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, na quarta fase da Operação Compliance Zero. Costa é investigado por supostas falhas de governança e por facilitar operações sem lastro entre o banco público e o Banco Master. Ele também é apontado como destinatário de propina estimada em R$ 146,5 milhões, quantia que, segundo as investigações, teria sido paga por Vorcaro para favorecer a compra do Master pelo BRB — negócio que acabou vetado pelo Banco Central.
O BRB informou que a criação do fundo pretende reforçar sua estrutura de capital e liquidez, aprimorar a gestão do portfólio e avançar no processo de readequação patrimonial da companhia, com possíveis efeitos positivos sobre a liquidez e a administração dos ativos.
Com informações de Agência Brasil
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