Os terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira (24) deixaram ao menos 188 mortos e 1.520 feridos, conforme informou Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional do país, nesta quinta-feira (25). Esta tragédia, a maior em mais de um século, ocorre em um momento crítico para a nação.
A economia venezuelana enfrenta anos de sanções impostas pelos Estados Unidos, hiperinflação, corrupção governamental e má gestão do setor petrolífero, mesmo com o país possuindo as maiores reservas de petróleo do mundo. Desde 2013, o PIB da Venezuela encolheu em cerca de 80%.
Além disso, em janeiro, ocorreu a captura de Nicolás Maduro pelos EUA, o que intensificou a crise. A presidente interina Delcy Rodríguez tem promovido uma liberalização cautelosa da economia e busca atrair petroleiras estrangeiras, enquanto tenta, de forma pragmática, conquistar o apoio de Washington e obter alívio das sanções.
Entretanto, apesar da flexibilização das sanções e do aumento gradual da produção de petróleo, a inflação permanece alta. Os cidadãos enfrentam dificuldades devido aos baixos salários, e em 2025, quase 8 milhões de pessoas, cerca de um terço da população, necessitavam de assistência humanitária, segundo a ONU.
A escassez crônica de produtos e serviços básicos, como combustível e medicamentos, agrava a situação. A emergência humanitária provocada pelos terremotos pressionará ainda mais uma cadeia de suprimentos já sobrecarregada. A indústria petrolífera, crucial para o país, também carece de bilhões de dólares em investimentos.
Os desastres naturais impactam profundamente a economia venezuelana. Após anos de crise econômica e falta de investimento em serviços públicos, a infraestrutura do país, que inclui hospitais e sistemas de energia elétrica, encontra-se mal equipada para enfrentar uma crise dessa magnitude.
As análises preliminares do Serviço Geológico dos EUA estimam que os prejuízos econômicos podem variar entre US$ 10 bilhões e US$ 100 bilhões, sendo que o valor mais alto corresponde aproximadamente ao tamanho total da economia venezuelana.
No pronunciamento televisionado na noite de quarta-feira (24), Delcy Rodríguez declarou estado de emergência. A ONU e vários países já estão mobilizando assistência de emergência para a região. O governo dos EUA, sob a administração de Trump, criou uma força-tarefa para oferecer apoio a Caracas e anunciou a mobilização de US$ 150 milhões em ajuda. Além disso, o Papa Leão XIV enviou uma doação inicial de emergência de 100 mil euros.
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