Tremores consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a costa central do país; governo venezuelano decretou estado de emergência e aguarda ajuda humanitária internacional.
Uma sequência de fortes terremotos atingiu a Venezuela na noite da última quarta-feira, 24 de junho, resultando em uma tragédia humanitária de grandes proporções no país vizinho. Até o início da manhã desta quinta-feira (25), as autoridades locais já haviam confirmado 164 mortes e pelo menos 971 pessoas feridas em decorrência dos abalos.
O balanço oficial das vítimas e dos estragos foi apresentado em pronunciamento público pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Diante do cenário devastador, o governo venezuelano decretou oficialmente o estado de emergência.
Epicentros e magnitude dos tremores
De acordo com os relatórios técnicos emitidos pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), a região da costa central venezuelana foi castigada por dois grandes abalos sucessivos em um curtíssimo intervalo de tempo:
- Primeiro Tremor: Registrado às 18h04 (horário local) com magnitude 7,2 na escala Richter. O epicentro foi localizado próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy, a cerca de 280 quilômetros de distância da capital, Caracas.
- Segundo Tremor: Ocorreu apenas 39 segundos após o primeiro impacto, alcançando uma magnitude ainda maior, de 7,5. Este segundo abalo teve seu epicentro mapeado próximo ao município de Yumare, um pouco mais ao norte do ponto inicial.
A presidente Delcy Rodríguez informou que, além dos dois terremotos principais, a população enfrentou mais de 20 tremores secundários (réplicas). As regiões mais afetadas pelas “graves consequências” estruturais incluem os estados de Caracas, La Guaira, Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón.
Mobilização internacional e ajuda humanitária
Durante o seu pronunciamento, Rodríguez manifestou profunda solidariedade a todas as famílias que perderam entes queridos na tragédia. Ela também confirmou que o país aguarda a chegada, ainda ao longo desta quinta-feira (25), de brigadas civis e equipes especializadas em resgate enviadas pelos governos dos Estados Unidos, República Dominicana, El Salvador, México e Catar. A mandatária fez questão de agradecer publicamente o apoio e a sensibilidade das nações estrangeiras.
Reflexos no Brasil e posicionamento do governo Lula
A força dos abalos na Venezuela cruzou as fronteiras e pôde ser sentida em solo brasileiro. A Rede Sismográfica Brasileira confirmou que os tremores foram captados pelas estações de monitoramento nacionais e assustaram moradores de diversas capitais e municípios da Região Norte do Brasil. Houve relatos formais de vibrações e tremores de terra em residências e edifícios de Manaus (AM), Boa Vista (RR), Belém (PA) e Macapá (AP).
Através de suas redes sociais, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, prestou solidariedade e informou que já acionou o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) para que avalie, em coordenação direta com a embaixada brasileira em Caracas, a extensão dos danos e o tipo de assistência humanitária que o Brasil poderá enviar.
“Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidenta encarregada Delcy Rodríguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência frente às adversidades”, declarou o presidente Lula.
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