O cantor Wesley Safadão reagiu publicamente às críticas relativas aos valores que recebe por apresentações contratadas com recursos públicos. A contestação ganhou novo capítulo após decisão da Justiça do Ceará que determinou a remoção de publicações onde o pré-candidato Renan Santos, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), o teria chamado de “novo ícone da corrupção”.
Em entrevista ao g1, concedida nos bastidores de um evento em Ribeirão Preto (SP), Safadão negou irregularidade nas contratações e afirmou que o que ocorre é a execução de seu trabalho. “Eu sempre digo o seguinte: a gente está bem tranquilo em relação a isso. Às vezes, as pessoas estão até achando que é como se fosse praticamente um crime, mas ninguém está cometendo um crime. A gente está executando o nosso trabalho”, declarou.
O artista também ressaltou que não há coerção nas contratações por parte das prefeituras e destacou a tranquilidade de consciência sobre sua carreira: “Ninguém está colocando a faca no pescoço de ninguém para nos contratar. Eu acho que não tem coisa melhor no mundo do que você deitar com sua consciência tranquila e em paz. Eu sei o tempo de carreira, o tempo de trabalho que eu tenho, e estou muito feliz. Só tenho a agradecer, não tenho nada a reclamar”.
Safadão confirmou publicamente o cachê acertado para o São João de Caruaru 2026: R$ 1,5 milhão. Sobre a cobrança pelos valores, disse que não considera artistas “caros”, mas que há profissionais que não conseguem se sustentar financeiramente, defendendo que a remuneração reflita a trajetória e a demanda do mercado: “Já ouvi perguntarem como é que um show sobe, de um ano para o outro, mais de 10%? Eu sempre digo que não existe artista caro, existem os artistas que não se pagam. Não menosprezando a carreira de ninguém, mas, assim, a gente está muito tranquilo quanto a isso”.
No processo movido por Safadão contra Renan Santos, o cantor obteve decisão favorável em ação que o acusava de calúnia, difamação e injúria. Em publicações contestadas, o pré-candidato pelo partido Missão havia imputado a ele prática de corrupção, afirmando que “o cantor lidera um esquema bizarro que explora prefeituras pobres no Nordeste e toma para si milhões em dinheiro que não deveria estar com ele” e atribuiu a Safadão mais de 50 contratos, no total de R$ 52 milhões, entre 2024 e 2025.

As determinações judiciais e as declarações entre as partes marcam o conflito público sobre contratos artísticos pagos por administrações municipais e a repercussão política dessas contratações.
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