Ator e dramaturgo estava internado em São Paulo; ele deixa um legado de seis décadas de personagens icônicos, como o Dr. Albieri de ‘O Clone’.
Por Redação | São Paulo, 21 de março de 2026
O Brasil perdeu, na madrugada deste sábado (21), um dos pilares de sua história cultural. O ator, diretor e dramaturgo Juca de Oliveira morreu aos 91 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde o último dia 13 de março, onde tratava um quadro de pneumonia e complicações cardiológicas.
Em nota oficial, a família confirmou o falecimento e agradeceu o carinho do público. “Juca construiu uma trajetória sólida e admirada, sendo uma voz fundamental para as artes cênicas brasileiras”, diz o comunicado.
Uma vida dedicada ao palco e às telas
Nascido José Juca de Oliveira Santos, em março de 1935, na cidade de São Roque (SP), o artista quase seguiu a carreira jurídica antes de se render aos palcos. Estudante da prestigiada Escola de Arte Dramática (EAD) da USP, Juca foi peça-chave na resistência cultural brasileira.
Nos anos 1960, ao lado de nomes como Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, integrou o Teatro de Arena, grupo que revolucionou a estética teatral no país. Por sua atuação política e artística, chegou a ser perseguido pela ditadura militar, vivendo um período de exílio na Bolívia.
O eterno Dr. Albieri
Embora tenha brilhado em mais de 60 peças de teatro e dezenas de filmes, foi na televisão que Juca de Oliveira se tornou uma figura familiar em milhões de lares. Seu papel mais emblemático foi o médico geneticista Dr. Albieri, na novela O Clone (2001), onde discutiu dilemas éticos e a solidão humana através da ciência.
Outros trabalhos marcantes incluem:
- Fera Ferida (1993): como o Professor Praxedes.
- Torre de Babel (1998): interpretando o vilão Agenor.
- Avenida Brasil (2012): no papel do misterioso Santiago.
- O Outro Lado do Paraíso (2018): seu último papel fixo em novelas da TV Globo.
Despedida
O velório de Juca de Oliveira será realizado na tarde deste sábado, no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, em São Paulo. A cerimônia será restrita a amigos próximos e familiares, respeitando a privacidade solicitada pela família neste momento de luto.
Juca de Oliveira deixa esposa, filha e uma legião de admiradores que veem nele o exemplo máximo do “ator intelectual” — aquele que não apenas interpreta, mas pensa o Brasil através de sua arte.
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