O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, que os acordos firmados com outros países têm resultado em avanços tecnológicos, novos investimentos e geração de emprego no Brasil. Durante visita à unidade da China Railway Rolling Stock Corporation (CRRC) em Araraquara (SP), ele também expressou preocupação com o risco de interrupção dessas conquistas por motivações políticas.
Na visita à fábrica que está sendo implantada pela CRRC na cidade paulista, Lula destacou a importância de parcerias que permitam ao país absorver tecnologias ainda não dominadas internamente. Segundo o presidente, isso exige investimento em formação de mão de obra qualificada, com intercâmbio de profissionais entre o Brasil e países parceiros.
O presidente explicou que haverá intercâmbio de técnicos e especialistas: profissionais brasileiros poderão ir à China e a outras nações para cursos e aperfeiçoamento, enquanto técnicos estrangeiros virão ao Brasil para apoiar a transferência de conhecimento e a implementação das tecnologias no país. Para Lula, esses passos são essenciais para que o Brasil supere entraves e avance rumo ao desenvolvimento pleno.
Investimentos em mobilidade
Na ocasião, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou R$ 5,6 bilhões destinados à mobilidade urbana em São Paulo. Do total, R$ 3,2 bilhões correspondem à segunda parcela do financiamento público para a implantação do Trem Intercidades Eixo Norte (TIC Eixo Norte), que ligará São Paulo a Campinas, e R$ 2,4 bilhões serão empregados na expansão da Linha 2 do Metrô de São Paulo.
O projeto do trem de média velocidade, com velocidade prevista de até 150 km/h, foi citado por Lula como prioridade independente de alinhamento partidário do governador, em função da necessidade do serviço para a população.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a estratégia do banco é empregar o poder de compra do Estado para fomentar o retorno da indústria ao país, com geração de empregos formais e contribuição para a reindustrialização.
Declarações do vice-presidente e da CRRC
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, recorreu a uma analogia da medicina chinesa para ressaltar a importância de manter o fluxo nas cidades: segundo ele, onde há fluxo livre não há dor, e o objetivo das obras é garantir esse fluxo na cidade, na região e no estado. Alckmin afirmou também que não serão necessárias desapropriações ao longo do traçado da ferrovia, pois a área entre São Paulo e Campinas pertence ao governo federal e será cedida.
O presidente da CRRC Brasil, Li Bangyong, afirmou que a empresa pretende se consolidar no país oferecendo serviços ao mercado nacional e transformar a unidade inicialmente chinesa em uma fábrica brasileira, com a incorporação da tecnologia chinesa ao parque tecnológico local e contribuição para a mobilidade e a economia brasileira.
A CRRC, apontada como a maior fabricante de trens do mundo, tem previsão de iniciar a produção de trens no segundo semestre de 2026.
Com informações de Agência Brasil
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