Grupo utilizava scripts profissionais e dados reais de processos para enganar vítimas; operação em Suzano soma-se a outras 16 prisões realizadas na capital paulista esta semana.
A Polícia Civil de São Paulo desmantelou, na tarde de quinta-feira (26), uma base operacional de alta sofisticação que funcionava em uma chácara alugada no bairro Jardim das Flores, em Suzano. No local, dez pessoas — nove homens e uma mulher, com idades entre 18 e 48 anos — foram presas em flagrante enquanto operavam uma verdadeira central de telemarketing do crime. A ação foi coordenada por equipes do 1º DP de Itaquaquecetuba após denúncias anônimas.
No “escritório” improvisado, os agentes apreenderam 25 celulares, nove notebooks e cinco veículos, além de cadernos com roteiros detalhados (scripts) que ensinavam os operadores a convencer as vítimas. Segundo a investigação, o bando acessava sistemas públicos da Justiça para identificar pessoas que tinham processos em fase final de pagamento. Com esses dados reais, eles se passavam por advogados ou funcionários de escritórios renomados para solicitar transferências via Pix, alegando a necessidade de pagar “taxas de liberação de alvará”.
A operação em Suzano é a segunda grande ofensiva da semana contra esse tipo de crime. Na quarta-feira (25), a 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco) já havia prendido outras 16 pessoas em uma central semelhante em Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo. Ao todo, 26 criminosos foram retirados de circulação em apenas 48 horas, revelando a escala industrial que o golpe do falso advogado atingiu em 2026.
Como o Esquema Funciona (Passo a Passo)
- A Pesquisa: Criminosos monitoram o Diário Oficial e sites de tribunais em busca de processos com valores a receber (precatórios ou indenizações).
- O Perfil Falso: Eles criam uma conta no WhatsApp usando a foto e o nome real do advogado que consta no processo.
- A Abordagem: Entram em contato com o cliente informando que o dinheiro foi liberado, mas que há uma “pendência de custas judiciais” ou “imposto de selo” para o saque imediato.
- A Urgência: Pressionam a vítima a fazer o Pix rapidamente, aproveitando-se da ansiedade pelo recebimento do valor principal.
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