O Banco de Brasília (BRB) informou na noite desta terça-feira (31) que não divulgará o balanço consolidado de 2025 dentro do prazo legal. A instituição comunicou a decisão em fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), citando a necessidade de concluir auditoria forense vinculada à operação chamada Compliance Zero e de avaliar os efeitos dessas apurações sobre os resultados.
A legislação brasileira exige que demonstrações financeiras anuais de instituições financeiras sejam publicadas até o fim de março; o prazo vence às 23h59 (Brasília UTC-3) desta terça-feira, e o BRB não informou nova data para a divulgação.
Motivo do adiamento
Segundo o banco, a postergação visa assegurar a “fidedignidade, transparência e integridade” das informações prestadas a acionistas e ao mercado. A auditoria em curso apura operações realizadas com o Banco Master, que estão sob suspeita de irregularidades, e busca tanto a investigação dos fatos quanto a mensuração dos efeitos contábeis das transações.
O BRB também não apresentou, conforme esperado, um plano detalhado para cobrir prejuízos decorrentes dessas operações.
Consequências regulatórias
Com o descumprimento do prazo, o banco terá de prestar esclarecimentos a órgãos reguladores, como o Banco Central (BC) e a CVM. As normas da CVM prevêem a aplicação de multa diária pelo atraso na divulgação de informações obrigatórias. Em casos extremos, se o atraso se prolongar, o registro do banco como companhia aberta pode ser suspenso, o que impediria a negociação de suas ações no mercado.
Impactos no mercado
A ausência dos resultados financeiros aumenta a incerteza entre investidores e analistas, que continuam sem visibilidade sobre o tamanho das perdas e a real posição patrimonial do BRB. O cenário tende a elevar a volatilidade dos ativos relacionados ao banco e pode pressionar avaliações de risco, afetando rating e custo de captação.

Contexto da crise
A atual crise teve origem na aquisição de aproximadamente R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master, operação que passou a ser investigada por suspeitas de fraude e culminou na liquidação do Banco Master. Estimativas de auditoria independente apontam prejuízos na faixa de pelo menos R$ 8 bilhões, podendo chegar a R$ 13 bilhões. Diante do avanço das investigações, o Banco Central intensificou o monitoramento sobre o BRB nos últimos meses.
Oficialmente, a instituição diz dispor de solidez e de um plano estruturado de capitalização, mas investidores mantêm cautela em razão da falta de divulgação dos números e das incertezas sobre o tamanho do prejuízo.
Com informações de Agência Brasil
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