O Sistema Único de Saúde (SUS) vai substituir a vacina pneumocócica conjugada 10-valente pela versão 20-valente (VPC20 ou Pneumo 20) a partir de junho, ampliando o número de sorotipos protegidos pelo imunizante.
O Ministério da Saúde divulgou, em 27 de maio, um guia técnico preliminar com orientações para profissionais de saúde sobre a mudança. Os municípios poderão iniciar a aplicação da nova vacina assim que receberem os lotes.
Quem deve ser vacinado e calendário
O calendário básico infantil prevê duas doses da vacina pneumocócica aos 2 e 4 meses de idade, com um reforço aos 12 meses. Crianças menores de 5 anos que não foram vacinadas no período indicado devem atualizar a carteira vacinal o quanto antes.
Durante o período de transição entre as vacinas, a recomendação é que as crianças recebam a VPC20 na primeira dose e no reforço, mantendo a VPC10 na segunda dose. Para crianças que já tiveram a primeira dose com VPC10, a segunda dose e o reforço serão com VPC20. Também será aplicada uma dose de reforço com VPC20 nas crianças menores de 5 anos que tiverem apenas o esquema básico de duas doses com VPC10.
Grupos de risco e contraindicações
Além de bebês e crianças pequenas, idosos e pessoas com comorbidades ou imunossupressão têm maior risco de formas graves da doença. Fazem parte dos grupos de alto risco: pessoas vivendo com HIV/aids; pacientes oncológicos; transplantados de órgãos ou de medula; imunodeficientes; e portadores de nefropatias, pneumopatias, cardiopatias, hepatopatias crônicas, asma grave, diabetes, síndrome de Down e prematuridade.
A VPC20 também substituirá, após o término dos estoques, as vacinas VPC13 e VPP23, que atualmente são oferecidas apenas a públicos específicos com maior vulnerabilidade.
A única contraindicação expressa é para quem tem alergia grave a algum componente da fórmula ou reação alérgica severa a doses anteriores. Pessoas com febre devem aguardar a recuperação antes da vacinação.
Impacto esperado e dados epidemiológicos
A doença pneumocócica, causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, pode provocar desde otite e sinusite até pneumonia bacteriana, meningite e sepse. Estima-se que o pneumococo responda por até 50% dos casos de meningite bacteriana em crianças, com mortalidade em torno de 30% nesses casos.
Desde 2010, quando a VPC10 foi incorporada ao calendário infantil, houve queda de 60% nos casos de doença meningocócica ligados aos sorotipos cobertos na faixa até dois anos, e redução de 65% nos casos de meningite pneumocócica nessa mesma faixa etária. Apesar disso, a ocorrência de casos voltou a crescer: a média anual de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos subiu de 164 no período 2013–2019 para 211,3 entre 2022 e 2024.
Segundo a Diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, a mudança no perfil dos sorotipos circulantes é consequência da efetividade da vacina anterior, que reduziu os tipos cobertos permitindo que outros sorotipos ganhassem espaço. Dados de vigilância do Ministério da Saúde indicam que quase 40% dos casos graves com amostras coletadas entre 2018 e 2023 foram causados por dois sorotipos não contemplados pela VPC10, mas incluídos na VPC20. Entre lactentes menores de 1 ano, cerca de 11% dos casos de meningite seriam atribuíveis a sorotipos adicionais presentes na formulação 20-valente, o que aponta para potencial redução da incidência com a nova vacina.
As vacinas conjugadas também reduzem a circulação do pneumococo na nasofaringe de vacinados, o que contribui para proteção indireta da população não vacinada.
Com informações de Agência Brasil
LEIA TAMBÉM
Reconhecimento Histórico: Hospital de Cirurgia homenageia Márcia Guimarães por liderança na reconstrução da instituição centenária
16 de setPesquisa aponta queda na prevalência de HPV entre jovens após vacinação
15 de set“A qualidade será pioneira no Brasil”, garante diretor sobre o novo Hospital do Câncer de Sergipe
15 de setReceba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

