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28 de maio de 2026

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Publicado em 28 de maio de 2026

Mortalidade materna no Brasil permanece alta; mais de 1,3 mil óbitos em 2024

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4 min de leitura

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O Brasil registrou, em 2024, uma razão de mortalidade materna de 56,4 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos, o que corresponde a 1.347 mortes ocorridas durante a gestação ou até 42 dias após o término da gravidez. A meta nacional é reduzir esse índice para 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030.

Os dados constam do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus) e foram consultados no Observatório da Saúde Pública. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), cerca de nove em cada dez desses óbitos poderiam ser evitados.

As principais causas obstétricas diretas responsáveis pelos óbitos são as síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e complicações do aborto, responsáveis por 66% das mortes maternas no país.

Atendimento pré-natal e referência hospitalar

Maria Isabel Peixoto, chefe da Unidade da Saúde da Mulher da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou que um pré-natal de qualidade, realizado o mais precocemente possível, aumenta a segurança da gestante e permite preparar a paciente para um parto monitorado em local com boa assistência. A maternidade é referência, sobretudo, no atendimento de casos de alto risco.

Na unidade, pacientes recebem orientação sobre hábitos alimentares, exames e acompanhamento contínuo. É o caso da técnica de enfermagem Fernanda Lopes de Almeida, 41 anos, grávida de 18 semanas e acompanhada por hipertensão e histórico de diabetes gestacional. Ela relata que as mudanças orientadas na alimentação e o acompanhamento a fazem sentir-se segura.

Equipe multiprofissional e autonomia da enfermagem

O enfermeiro obstétrico Renné Costa, membro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), defende a atuação integrada de diferentes profissionais para garantir cuidados adequados à mulher e ao bebê. Desde 2009, Renné afirma ter participado de mais de 5 mil partos, a maioria no Hospital Municipal de Viçosa (AL), cidade de pouco mais de 26 mil habitantes que atende outros nove municípios da região.

Segundo ele, ao chegar ao hospital eram realizados entre 80 e 90 partos por ano; depois do trabalho implementado, o número subiu para cerca de 600 partos anuais. Renné atribui essa ampliação à autonomia conferida à enfermagem obstétrica pela Lei 7.498/1986. Nos mais de 5 mil partos que realizou, ele afirma não ter registrado óbitos maternos ou neonatais.

Cuidados no puerpério e saúde mental

A ginecologista e obstetra Inessa Beraldo de Andrade Bonomi, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Febrasgo, alerta para a importância do acompanhamento no pós-parto (puerpério). Ela afirma que, ao voltarem para casa, muitas mulheres recebem menos atenção dos serviços de saúde e até da família, o que pode atrasar a identificação de sinais de risco.

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Entre os sinais de alerta mencionados pela especialista estão sangramento vaginal além do habitual, febre, falta de ar, dor torácica, cefaleia intensa resistente a analgésicos, alterações visuais (como escotomas ou pontos de luz) e pressão arterial persistentemente elevada com picos hipertensivos. Bonomi recomenda retorno para avaliação nos primeiros sete dias, e no máximo em dez dias, após o parto.

A Febrasgo também enfatiza que a saúde mental do puérpero deve ser observada, já que o sofrimento psíquico pode se manifestar por tristeza intensa, ansiedade, insônia, medo de cuidar do bebê, sensação de incapacidade, exaustão extrema e dificuldade de vínculo. Casos mais graves podem envolver ideias de autoagressão, risco de violência contra o bebê ou sintomas psicóticos, exigindo atenção imediata.

Política pública: Rede Alyne

Em 2024, o governo federal lançou a Rede Alyne com a meta de reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027 e diminuir em 50% a mortalidade entre mulheres pretas no mesmo período. A iniciativa é uma reestruturação da antiga Rede Cegonha e homenageia Alyne Pimentel, jovem negra que morreu aos 28 anos, grávida de seis meses, por falta de atendimento adequado em Belford Roxo (RJ) em 2002. Alyne deixou um filho de cinco anos.

A Rede Alyne busca oferecer cuidado humanizado e integral às gestantes, levando em conta as desigualdades étnico-raciais e regionais no país.

Com informações de Agência Brasil

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