Operação da Polícia Federal contra Jaques Wagner preocupa o Planalto. Lula reuniu ministros para avaliar impacto político e pode trocar a liderança do governo no Senado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está avaliando o impacto da operação da Polícia Federal (PF) que atinge o senador Jaques Wagner (PT-BA). Na quinta-feira, 18, Lula se reuniu com ministros no Palácio da Alvorada para discutir a situação do parlamentar e as possíveis consequências para o governo federal.
Uma parte do Palácio do Planalto acredita que a operação pode prejudicar a imagem e a articulação política da gestão, sugerindo a substituição de Jaques na liderança do governo no Senado. No entanto, a decisão final de Lula deve ser tomada após uma conversa pessoal com o senador e outros aliados.
Na mesma quinta, Lula teve uma primeira conversa telefônica com Jaques Wagner, mas optou por aguardar uma reunião pessoal para deliberar sobre o assunto. Com a agenda cheia nos próximos dias, com compromissos no Sudeste, o encontro deverá ocorrer na próxima semana.
“Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, disse Edinho Silva, presidente do PT.
Interlocutores do presidente afirmam que o Planalto estava preparado para contestar alegações relacionadas ao PT baiano e ao caso do Banco Master, mas a operação contra o senador foi uma surpresa. Jaques Wagner e seus familiares foram alvos de busca e apreensão, sendo suspeitos de receber vantagens indevidas do Banco Master. O senador se defendeu, afirmando que não atuou em favor de nenhuma instituição financeira.
Após a operação da PF, o PT ajustou seu discurso, enfatizando que qualquer revelação deve ser atribuída ao parlamentar e não ao presidente Lula, que busca a reeleição este ano. A estratégia é individualizar Jaques Wagner e outros aliados que possam ser citados nas investigações, a fim de proteger a imagem do presidente.
De acordo com informações, o PT continuará utilizando o caso do Banco Master em sua comunicação, com o objetivo de destacar a candidatura de Lula contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontando ligações do adversário com fraudes financeiras.
Nos próximos dias, parlamentares e dirigentes devem intensificar a divulgação de informações relacionadas à visita de Flávio a Vorcaro e áudios em que o senador solicitava recursos ao banqueiro para o filme “Dark Horse”.
“Uma tentativa de equiparar relações e falsamente criar a ideia de que o escândalo atinge igualmente todos os campos políticos brasileiros é inócua”, afirmou Éden Valadares, secretário de comunicação do PT.
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