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Taxa Selic alta pressiona juros do crédito rotativo, aponta especialista

A inadimplência atinge 4,7% no Brasil, enquanto juros do crédito rotativo chegam a 436% ao ano.

07/07/2026 · 14h42 · Atualizado às 15h13
Taxa Selic alta pressiona juros do crédito rotativo, aponta especialista

A taxa média de inadimplência no Brasil atingiu 4,7% em maio, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2011. Este cenário preocupante é analisado por especialistas que apontam a combinação entre juros elevados, endividamento crescente e o crescimento das casas de apostas como fatores determinantes para esse resultado.

Em uma entrevista recente, Carla Beni, conselheira do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo), destacou que o país convive com a taxa Selic em dois dígitos desde fevereiro de 2022. Essa situação pressiona diretamente os juros cobrados no crédito rotativo do cartão, que chegam a impressionantes 436% ao ano, tornando essa modalidade a mais cara e de mais fácil acesso para o consumidor.

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Apesar da inadimplência recorde, o mercado de trabalho no Brasil segue relativamente aquecido. Beni apontou que os dados do Caged indicam um salário médio inicial em torno de R$ 2,4 mil para trabalhadores com carteira assinada.

“Essa massa salarial vem subindo, mas já vem subindo um pouquinho menos”,

ponderou a especialista. Ela ainda ressaltou que a resiliência do emprego é um fator que evita um cenário ainda mais grave.

“Você já imaginou se a gente tivesse esse processo de inadimplência todo com uma queda maior ainda nos postos de trabalho?”

Carla Beni também comentou sobre a ausência de um limite legal para a cobrança de juros no Brasil. Desde a Constituição de 1988, havia um teto de 12% reais ao ano para o sistema financeiro, mas esse limite foi eliminado em 2003, após pressões do setor financeiro iniciadas em 1999.

“O céu é o limite”,

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resumiu Beni. Atualmente, embora exista uma regra que proíbe a dívida de dobrar, os juros do rotativo ainda alcançam patamares considerados parte do chamado

“livre mercado”

.

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A especialista defendeu a necessidade de um limite para a cobrança de juros. Em relação aos programas de renegociação de dívidas, ela avaliou que o Desenrola 1.0 teve adesão menor do que o esperado, principalmente devido a dificuldades no uso do aplicativo e à exigência de um curso de educação financeira como condição para participação. No entanto, o Desenrola 2.0, que permite ao consumidor negociar diretamente com a instituição financeira, deve facilitar o processo.

“A adesão do primeiro foi menor do que se esperava e essa do segundo está tendo uma adesão maior agora”,

disse Beni. O programa inicial tem duração de 90 dias, sem anúncio de prorrogação até o momento.

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A taxa média de inadimplência no Brasil atingiu 4,7% em maio, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2011. Este cenário preocupante é analisado por especialistas que apontam a combinação entre juros elevados, endividamento crescente e o crescimento das casas de apostas como fatores determinantes para esse resultado.

Em uma entrevista recente, Carla Beni, conselheira do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo), destacou que o país convive com a taxa Selic em dois dígitos desde fevereiro de 2022. Essa situação pressiona diretamente os juros cobrados no crédito rotativo do cartão, que chegam a impressionantes 436% ao ano, tornando essa modalidade a mais cara e de mais fácil acesso para o consumidor.

Apesar da inadimplência recorde, o mercado de trabalho no Brasil segue relativamente aquecido. Beni apontou que os dados do Caged indicam um salário médio inicial em torno de R$ 2,4 mil para trabalhadores com carteira assinada.

“Essa massa salarial vem subindo, mas já vem subindo um pouquinho menos”,

ponderou a especialista. Ela ainda ressaltou que a resiliência do emprego é um fator que evita um cenário ainda mais grave.

“Você já imaginou se a gente tivesse esse processo de inadimplência todo com uma queda maior ainda nos postos de trabalho?”

Carla Beni também comentou sobre a ausência de um limite legal para a cobrança de juros no Brasil. Desde a Constituição de 1988, havia um teto de 12% reais ao ano para o sistema financeiro, mas esse limite foi eliminado em 2003, após pressões do setor financeiro iniciadas em 1999.

“O céu é o limite”,

resumiu Beni. Atualmente, embora exista uma regra que proíbe a dívida de dobrar, os juros do rotativo ainda alcançam patamares considerados parte do chamado

“livre mercado”

.

A especialista defendeu a necessidade de um limite para a cobrança de juros. Em relação aos programas de renegociação de dívidas, ela avaliou que o Desenrola 1.0 teve adesão menor do que o esperado, principalmente devido a dificuldades no uso do aplicativo e à exigência de um curso de educação financeira como condição para participação. No entanto, o Desenrola 2.0, que permite ao consumidor negociar diretamente com a instituição financeira, deve facilitar o processo.

“A adesão do primeiro foi menor do que se esperava e essa do segundo está tendo uma adesão maior agora”,

disse Beni. O programa inicial tem duração de 90 dias, sem anúncio de prorrogação até o momento.

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