As férias escolares trazem uma transformação significativa na rotina de pais e filhos, mas muitas vezes, o impacto sobre os animais de estimação é negligenciado. Com as crianças em casa por mais tempo, a circulação de pessoas aumenta, e os horários habituais são alterados, o que pode afetar tanto o comportamento quanto a saúde dos pets.
Os cães e gatos são animais que se adaptam melhor a ambientes previsíveis. Mudanças na rotina, portanto, podem gerar estresse e ansiedade, levando a alterações comportamentais e até ao surgimento de doenças. Entre os cães, é comum notar agitação excessiva, dificuldade para relaxar, latidos frequentes e uma maior necessidade de atenção. Já os gatos, que são mais sensíveis, podem se esconder, reduzir a interação com a família ou apresentar sinais de irritação.
“O estresse não é apenas uma questão comportamental. Quando se prolonga, pode causar alterações gastrointestinais, queda da imunidade e, especialmente nos gatos, desencadear problemas urinários, como episódios de cistite”, afirma Brisa Sevidanes, professora de Medicina Veterinária do Centro Universitário Arnaldo, de Belo Horizonte.
A interação entre crianças e pets tende a aumentar durante as férias, o que é positivo para fortalecer os vínculos. No entanto, isso deve ocorrer com a supervisão de um adulto, respeitando os momentos de descanso do animal. Forçar a interação ou interromper o sono do pet pode causar desconforto e elevar o risco de reações defensivas.
“Supervisionar as brincadeiras é fundamental. É essencial ensinar as crianças a respeitar os limites do animal, prevenindo mordidas, arranhões e situações de estresse. Também é importante ter cuidado com brinquedos pequenos, medicamentos, produtos de limpeza e alimentos tóxicos, além de manter portas e janelas fechadas para evitar fugas”, alerta Sevidanes.
Além disso, o aumento na movimentação em casa pode afetar a saúde física dos animais. A alimentação inadequada, com o fluxo constante de lanches e petiscos, eleva o risco de ingestão de alimentos tóxicos, como chocolate e produtos ultraprocessados.
Comportamentos como se esconder, destruir objetos, lambedura compulsiva, perda de apetite, apatia, tremores ou respiração ofegante são sinais de alerta. Se esses sintomas persistirem por mais de 24 a 48 horas, é recomendável buscar a orientação de um médico veterinário para avaliação.
“A saúde intestinal dos pets também merece atenção, e os simbióticos podem ser importantes para cães e gatos”, destaca Francis Flosi, veterinário e diretor da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas.
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