A escalada militar dos Estados Unidos contra o Irã pode não gerar os ganhos políticos esperados pela política externa americana. Essa é a avaliação de um especialista em Relações Internacionais da PUC-Minas. Segundo ele, a estratégia de pressão militar adotada pelos americanos apresenta riscos consideráveis e pode resultar em um impasse perigoso.
O professor aponta que os americanos acreditam que a pressão militar sobre os iranianos resultará em vantagens nas negociações. No entanto, ele questiona essa lógica, afirmando que o maior erro dos americanos é acreditar que esse tipo de tática pode gerar ganhos políticos reais.
“O maior erro dos americanos, na minha opinião, é acreditar que esse tipo de tática pode gerar algum tipo de ganho político real”, destacou.
O especialista ressalta que a situação entre os dois países assemelha-se a uma dinâmica onde cada parte acredita estar mais próxima de seus objetivos ao intensificar os ataques, sem perceber o abismo que se aproxima.
O Irã, segundo a análise, é um país com mais de 90 milhões de habitantes e um governo que permanece firme diante das tensões. O professor destaca que, paradoxalmente, a guerra tem gerado unidade interna no país. “Para os iranianos, com toda a destruição, com toda a pressão, esta guerra, de alguma forma, tem criado unidade interna dentro daquele país”, afirmou.
A cada nova etapa da escalada imposta pelos americanos, os iranianos têm respondido com um novo nível de escalada. O Estreito de Bab el-Mandeb, conhecido como “portal das lágrimas”, é mencionado como um dos elementos que os iranianos podem acionar nesse processo.
Essa dinâmica alimenta um ciclo de tensão crescente, que, na visão do professor, não deve produzir resultados concretos para os Estados Unidos. Ele conclui que o momento é sério e crítico, mas enfatiza que o Irã possui muito mais condições de resiliência em um conflito prolongado do que os Estados Unidos.
“O país persa tem muito mais condição de resiliência num conflito prolongado do que os Estados Unidos, que vai ser pressionado pelo sistema mundo, pela oscilação do preço do petróleo”, afirmou.
O especialista também menciona que os iranianos não aceitarão qualquer acordo, preferindo não assinar nada a aceitar um acordo desfavorável.
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